Limpeza e organização impecáveis, horários seguidos à risca e uma rotina apertada de estudo e trabalho. A rígida disciplina remete a um quartel militar, mas esta é a realidade de 14 adolescentes infratores, internos da Fundação Casa (antiga Febem), que trocaram os pavilhões da unidade, no bairro City Petrópolis, por um confortável sobrado na região central de Franca. O lugar recebeu o nome de República e começou a funcionar, sob sigilo, em julho deste ano. Lá, os menores cumprem a última das cinco etapas do processo de recuperação, que dura, ao todo, 13 meses. A transferência ocorre no décimo mês, após uma série de avaliações.
O benefício não é concedido a todos, apenas àqueles considerados não perigosos. Qualquer deslize, no entanto, pode levar o interno de volta ao primeiro estágio do tratamento, na unidade convencional.
Na República, é aplicado um regime parecido com o da semiliberdade. A lista diária de obrigações deve ser cumprida por todos e inclui atividades como limpar a casa, lavar e passar as roupas, ajudar na cozinha, estudar e trabalhar. Atualmente, são atendidos 14 jovens de Franca, Batatais e Ituverava, com idades entre 14 e 18 anos. Oito profissionais do Casa (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente), entre agentes de segurança e educadores, se revezam no acompanhamento do grupo. A unidade tem capacidade para abrigar até 20 internos.
Por questão de segurança, a diretoria da instituição pediu que a localização do imóvel, alugado por R$ 2 mil, não fosse divulgada. A discrição é tal que, até hoje, poucos vizinhos sabem da instalação da unidade. O silêncio só é rompido pelo som vindo das oficinas mantidas nos fundos do sobrado, onde os adolescentes aprendem modelagem e tapeçaria, além de informática. Cursos fora da unidade, em diferentes áreas, também fazem parte do programa.
Segundo o juiz José Rodrigues Arimatéia, da Vara da Infância e Juventude, o objetivo é garantir que o retorno do menor ao convívio familiar e social aconteça aos poucos e de maneira controlada. “Não podemos abrir as portas e mandar o menino de volta para a rua. Ele precisa ser preparado antes para diminuir as chances de reincidência”, disse.
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