Há 4 anos deixei Franca e acabei me afastando da rotina de repórter policial que desempenhei em virtude da profissão que escolhi. De certo modo, isso foi bom. Deixei de conviver com casos como este – o assassinato de Kenia Bazon – e de me “acostumar” com as leis que acabam por proteger bandidos como o que cometeu o crime brutal. Colega do Bazon, muitas vezes noticiei com ele fatos trágicos mas jamais imaginamos vivenciar, pessoalmente, tamanha tristeza. Fica a indignação, não por parte de Polícia que acredito ter feito sua parte e de maneira competente, nem pela cidade (afinal, em todas há violência), mas pelos nossos governantes e legisladores, que não se mexem para mudar códigos, normas e leis totalmente defasadas. Do que adianta tentar confortar um pai se sua filha, jovem, bonita e levando outra vida dentro de si, não voltará jamais à vida. Cadeia para um homem cruel como o que foi capaz de tanto, é pouco.
Lore Marcussi
Florianópolis - SC
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