Depois de matar a pauladas, assassino teme pela própria vida


| Tempo de leitura: 2 min
CENA DO CRIME - O cabeleireiro Benedito Estevan de Andrade foi morto a pauladas no fim do ano passado. Violência do crime chocou até mesmo os policiais que atenderam a ocorrência
CENA DO CRIME - O cabeleireiro Benedito Estevan de Andrade foi morto a pauladas no fim do ano passado. Violência do crime chocou até mesmo os policiais que atenderam a ocorrência
Dez meses depois de assassinar a pauladas o cabeleireiro Benedito Estevan de Andrade, de 54 anos, numa chácara em Franca, em troca de R$ 6 mil, Adalberto do Nascimento Corrêa de Oliveira, 31 anos (contratado para cometer o crime), agora está com medo de morrer. Por já terem cumprido pena em uma cadeia dominada por uma facção rival, ele e um outro detento de sua cela seriam os primeiros da fila de execuções do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa que domina a Cadeia do Guanabara. Dizendo-se ameaçado de morte e com o nariz quebrado em três lugares, ele conversou com a redação do Comércio, por celular, de dentro da cela que divide com 20 presos. Pediu para a polícia agilizar sua transferência para outra unidade prisional. “Eu preciso sair daqui agora. Eu tô com medo e, se tiver outra rebelião, a ordem é jogar bola com a minha cabeça no pátio”, disse, na noite de sábado. Desesperado, ele disse que havia conseguido sua transferência para a cadeia de Pedregulho, na sexta-feira, e reclama da polícia se negar a obedecer a ordem do juiz. “A ordem foi expedida pelo juiz, mas, até agora, eles não me tiraram daqui. A minha mulher falou com o delegado, mas não adiantou”, disse ele. Foi sua mulher que procurou a reportagem e passou o contato do preso. Para justificar seu pedido de transferência para uma cadeia onde o regime disciplinar é mais maleável e onde há menos presos, Adalberto se diz ameaçado. “Estou sendo humilhado por já ter passado por outra cadeia que não é do PCC. Isso eles não aceitam”. Segundo ele, as ameaças começaram antes da rebelião do dia 4 de março, quando foi espancado e recebeu chutes no rosto, que lhe fraturaram o nariz. Na ocasião, sua vida foi preservada, mas as ameaças continuaram. “Não morri porque a ordem do comando não era pra matar, mas nessa próxima é pra arrancar a minha cabeça”. O preso confirmou a possibilidade de que outra rebelião esteja sendo preparada em Franca. “Já viraram outras cadeias lá para baixo e vai chegar aqui”, disse. Ele se negou a informar se há outros telefones celulares na Cadeia e alegou que o aparelho que usava foi emprestado de outro preso. O delegado Eduardo Lopes Bonfim, diretor da cadeia do Guanabara, confirmou ter recebido o pedido de transferência. Disse que não concorda com ele, mas já solicitou providências à Secretaria de Administração Penitenciária. Bonfim também disse ter conhecimento da exis tência de celulares entre os presos. Informou que vai tomar providências, mas que não pode antecipá-las por questões de segurança (leia mais no apoio).

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários