Delegados falam em omissão do Estado


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A reportagem conversou com dois delegados diretamente envolvidos na administração da Cadeia Pública de Batatais. Seus nomes serão omitidos. Para os dois policiais, o Estado não dá nenhuma importância para a unidade, negligenciando a tutela que legalmente tem sobre as presas. A começar pela inadequação do espaço, em virtude da lotação, mas passando também pela falta de trabalho, atividades e até apreciação de processos, o que obriga presas condenadas a continuarem no local, quando deveriam estar em penitenciárias, tudo parece funcionar provisoriamente. “O que mantém o controle aqui é o atendimento à saúde e a alimentação das presas. Não fosse isso, teríamos muitos problemas”, disse um dos delegados. “Mas pode colocar aí: não há colchões, medicamentos, tratamento sanitário, nada”. Para o outro delegado ouvido, o governo do Estado ignora a situação das presas por um motivo, para ele, óbvio: o detento masculino é uma ameaça à sociedade. Em sua avaliação, a proporção de mulheres participando de assaltos e de homicídios é muito menor comparativamente aos homens. Com isso, é mais urgente providenciar abrigo para esses presos que para elas. “Com um governo feito de homens, seria estranho não haver essa discriminação. A mulher é socialmente menos lesiva, então se o governo tem dinheiro para construir um presídio masculino ou três femininos, com qual opção você acredita que ele ficará?”. Em Franca, o delegado seccional Maury de Camargo Segui disse que não conhece nenhum projeto estadual para construção de presídios femininos regionalizados. Segundo ele, caso haja necessidade, cadeias atualmente desativadas na região de Franca serão reabertas para abrigar o excedente de Batatais. “Não posso permitir que essas mulheres saiam de suas cidades e sejam mandadas para longe. A mulher é o centro da família. Tudo o que elas querem é estar perto dos filhos, dos pais. Sair de perto dessas pessoas é morte para elas”, avaliou Segui. “E não é porque estão presas que isso muda”.

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