Com certeza você já deve ter ido a uma balada com um cenário cheio de luzes girando e colorindo o ambiente. Pois é, são os famosos lasers lúdicos usados para animar e decorar raves, shows, boates e festas em geral. Mas, dependendo da freqüência, eles podem ser uma ameaça aos olhos e até provocar a perda de visão. Em Franca, ainda não há nenhum caso grave confirmado de jovens que sofreram lesões na retina causadas por esses feixes de luz. Mas ao menos cinco pessoas em São Paulo e no Estado de Minas Gerais tiveram a vista afetada por causa desse tipo de luz.
O alerta para o perigo dessa diversão que, cada dia ganha mais espaço em diferentes festas, foi intensificado no mês passado quando 30 jovens tiveram lesões nos olhos após serem atingidos por laser em um show de música eletrônica na Rússia. Doze deles sofreram perda permanente de visão.
O oftalmologista Plínio Cantieri Murta Vieira explica que os danos do laser à visão estão relacionados ao tempo de exposição aos raios e à potência deles. “Quando o lazer é de uma potência muito forte, sua energia térmica queima a retina instantaneamente”, disse o médico.
Ele afirma que, nos últimos cinco anos, já atendeu 10 pacientes que associavam lesões nos olhos ao fato de terem freqüentado festas com lasers. “Foram pequenas exposições. Estatisticamente, os casos mais graves são raros” disse.
No mercado, há lasers de diversas potências, que variam de 30 MW (os mais fracos e menos prejudiciais) que custam R$ 650 até os mais potentes de, em média, 4.000 MW, que custam em média R$ 6 mil. Em Franca, a proprietária de uma casa de instrumentos, Angélica Lemos Peixoto, disse que os DJs e proprietários de boates costumam comprar os mais fracos com potências 30 MW. “Os de maior potência são usados em festas muito grandes, pois a luz atinge quilômetros de distância”, disse.
O DJ Marcílio Rezende Nunes usa os lasers menos potentes como uma opção a mais para animar suas festas. “Estes não são prejudiciais. Mas sei que existem os potentes que, se forem direcionados aos olhos, prejudicam a visão”, disse.
No Brasil, para quem usa os lasers de modelos mais potentes não há regras de segurança e nem fiscalização. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) diz que só lhe compete a fiscalização de equipamentos a laser usados em diagnósticos e terapias. O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) afirma que não atua nessa área. Já a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) também só tem normas para o laser industrial e médico.
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