Sem melodia fica sem graça


| Tempo de leitura: 2 min
Ganha um pirulito de prêmio quem conseguir assobiar ou cantarolar as músicas desses conjuntos barulhentos, como Titãs, Paralamas do Sucesso e outros que pululam por aí. Digo mais, qualquer das “canções” - entre aspas mesmo - que a Paula Toller gravou. Você, que é poeta ou músico, tente cantarolar as “músicas” da Paula e vai ver como é difícil; procure declamar a letra e, se encontrar poesia, me avise. São músicas - se é que se pode chamar assim - do chamado “rock brasileiro”, que, na minha modesta opinião, carecem totalmente de uma linha melódica. Enfim, não há melodia, muito menos poesia e, por isso, é quase impossível cantarolar ou declamar alguma dessas músicas. Podem até me chamar de antiquado, ultrapassado, ou coisa parecida, mas não consigo aceitar música sem melodia, nem conjuntos em que o principal instrumento é a bateria, responsável por mais da metade dos deficientes auditivos que freqüentam as animadas e barulhentas baladas. Até hoje, só fui a uma, faz tempo, e estaria exagerando se dissesse que meus ouvidos ainda estão zunindo; zuniram, na verdade, somente por uns dois dias... Eu sou mesmo muito antigo, confesso, mas que era uma maravilha a gente escutar orquestras como Severino Araújo, Luiz de Arruda Paes, Cassino de Sevilha, Sílvio Mazzuca, isso era. E a fantástica “Waldomiro Lemke”, que eu trouxe para o baile “Noite Colorida” de 1962 (não disse que eu sou antigo?), quando era presidente do nosso glorioso Yara Clube. E não me esqueço ainda que, naquela época, se podia colocar na “vitrola”, discos do Chico Buarque, Tom Jobim, Ary Barroso, Caetano, Gil, Caymi, Toquinho e Vinícius. Qualquer garotinho de cinco, seis anos de idade, naquela época, cantarolava “A Banda”, “Garota de Ipanema”, “Aquarela do Brasil”, “Carolina”. Ainda hoje, basta ouvir uma única vez qualquer uma dessas músicas para gravá-la. Ninguém consegue gravar nos ouvidos é a melodia das músicas atuais porque ela simplesmente não existe. Não é difícil, é impossível... Aliás, os próprios roqueiros de hoje, quando não conseguem “criar” algo que seja harmonioso – nem os ouvidos deles suportam a barulheira que produzem – se socorrem das “antigas”, aquelas de meu tempo, fazendo as tais “releituras”. Fica, pois, lançado meu desafio: se algum dos fanáticos por essas “canções” moderninhas conseguir assobiá-las por inteiro, vou me redimir, vou me penitenciar através de um outra artigo. E virar admirador dos Paralamas, dos Titãs e de outros conjuntos que surgirem... Não vou deixar também de entregar o pirulito prometido ao persistente assobiador... Henrique O. Marconi Advogado tributarista, economista, administrador de empresas e escritor

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários