Baixos salários e condições de trabalho que estão longe das ideais: essas são as principais causas do desinteresse dos médicos em atuar na rede pública de saúde. Em Franca, atualmente mais de cem cargos escriturais, ou seja, autorizados por lei, estão desocupados.
Na tentativa de amenizar a situação, a Prefeitura decidiu abrir novo concurso público para contratar 36 profissionais. Entre as especialidades, serão admitidos cinco clínicos-gerais, um urologista, cinco ginecologistas, três psiquiatras e dois neurologistas; na área emergencialista, há dez vagas para clínicos e dez para pediatras. O edital deve ser publicado na próxima terça-feira.
A previsão é que a prova seja aplicada no dia 12 de outubro. A maior dificuldade da Prefeitura está justamente em atrair interessados no processo seletivo. E a preocupação se justifica. No último concurso, realizado em abril deste ano, o número de concorrentes foi menor que o de vagas oferecidas - 34 para 35.
Desta vez, no entanto, o salário será um pouco maior: R$ 2.568,95 por vinte horas semanais - ou R$ 120 a mais. Com esse “incentivo”, a expectativa é ampliar o total de candidatos.
O déficit de médicos levou a Prefeitura a buscar soluções paliativas para não agravar ainda mais os problemas na saúde. Hoje são cerca de 20 profissionais contratados em regime temporário, que atendem na condição de prestadores de serviço e recebem por hora trabalhada. “É uma alternativa para suprir a demanda, que é grande. A lei garante isso em casos de emergência”, disse o secretário de Administração e Recursos Humanos, Jerônimo Sérgio Pinto.
Segundo ele, os médicos admitidos desta forma não têm vínculo empregatício com o município e não podem ganhar mais do que os colegas concursados.
Pelo menos por enquanto, Jerônimo avisa que não há possibilidade de elevar o salário-base da categoria em Franca. O assunto só deve ser colocado em discussão a partir do ano que vem e um eventual aumento dependerá de aprovação pela Câmara. No momento, os esforços estão concentrados no adicional pago aos plantonistas.
Atualmente, ele é de 8% em dias úteis e 10% nos fins de semana. A intenção é subir este percentual para, no mínimo, 20%.
Outro grave problema é a pequena quantidade de médicos na cidade que, apesar de ter quatro faculdades, não possui nenhum curso de graduação em Medicina. Uma pesquisa do Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getúlio Vargas) apontou que Franca está entre as 50 cidades do País com maior carência de profissionais, sendo apenas um médico para cada 870 habitantes. “É a lei da oferta e da procura. A questão não é só salarial”, disse o secretário.
OFTALMOLOGISTAS
Até o próximo dia 24, a Prefeitura de Franca vai cadastrar clínicas oftalmológicas para realizar atendimentos específicos na rede pública. Os valores pagos serão os mesmos da tabela SUS. Além da oftalmológica, o município também compra serviços nas áreas de neurologia e audiologia.
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