Delegado acredita na inocência de colega


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O delegado de Ituverava, Wilson dos Santos Pio, acredita que o colega Carlos Roberto Rodrigues tenha agido de boa-fé ao fornecer seu código e senha para uma policial da Ciretran da cidade. O colega de profissão, para ele, era um “analfabyte”, em alusão às pessoas que não interagem com computadores. Foi Pio quem descobriu o caso a partir da investigação de um motorista de Buritizal que, além de ter 29 pontos da carteira de habilitação apagados da noite para o dia, ainda conseguiu que sua CNH passasse da categoria inicial A para a profissional D. Ao procurar pelo motorista, começou a ter contato com um esquema emaranhado, mas que deixou pistas por todos os lados. A cada entrada dos policiais no sistema, todas as informações, passo a passo, ficaram registradas. Como a senha era mutuamente usada, não se sabe quem fez o quê. Segundo ele, Bruno Biaggi Barros, o primeiro motorista flagrado, contou com a intermediação do despachante Paulinho Abel, feita geralmente no escritório onde trabalhava, no centro de Ituverava. Na cidade, a fama de Abel por conseguir “dar jeito” nas CNHs é antiga. Os motoristas, então, o procuravam. O pagamento pelos procedimentos feitos dentro da Ciretran era em dinheiro, segundo depoimentos dos motoristas envolvidos. A polícia não sabe quanto e se os policiais ganhavam pela intermediação. No caso de Biaggi, foram R$ 1.200 entregues a Paulinho Abel. O modo de operar era quase sempre o mesmo: os motoristas apresentavam os documentos a Paulinho, que acionava os policiais da Ciretran. O despachante pedia, então, um pequeno prazo para entregar os documentos. Diante da primeira descoberta, Wilson Pio pediu à empresa de processamento de dados do Detran de São Paulo, a Prodesp, que enviasse todos os documentos referentes à expedição e renovação de CNHs nos seis meses anteriores. Com os papéis inúmeros casos foram aparecendo. “Fomos investigando, encontrando motoristas, reunindo provas e confissões. Depois chegamos ao despachante”, disse o delegado Pio. Com a quantidade de carteiras e prontuários adulterados, perto de 15, e como havia a participação de policiais, a investigações foram enviadas para a equipe corregedora da polícia de Franca. Num despacho de agosto de 2007, o delegado Luiz Carlos Almeida, responsável pela equipe corregedora da Delegacia Seccional de Franca, concluiu que não era possível determinar a participação dos policiais. Os três envolvidos, que negaram todas as acusações, ainda trabalham em delegacias de Ituverava. O Ministério Público pediu que seus nomes não fossem revelados para não atrapalhar a conclusão das investigações. A reportagem foi ao endereço residencial de Paulinho Abel e ao escritório da família, que funciona como despachante, no centro da cidade. Ele não foi encontrado em nenhum dos dois locais. No escritório, a informação é que estaria em São Paulo fazendo compras para sua loja de confecções.

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