O promotor criminal de Ituverava, Carlos Ernani Constantino, disse estar convencido da culpa dos policiais civis da Ciretran da cidade no esquema de falsificação das CNHs. Para ele, diante das provas colhidas, não se trata de questionar se os agentes participaram ou não, mas apenas de individualizar essa participação. Assim que concluir o inquérito, o representante do MP vai oferecer a denúncia à Justiça por falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva.
Segundo Constantino, com os códigos e a senha do delegado Rodrigues nas mãos, os policiais podiam “fazer tudo o que quisessem” dentro do sistema. Em sua opinião, a responsabilidade objetiva no caso é do delegado Carlos Roberto Rodrigues. Subjetivamente, entretanto, é preciso saber se ele agiu de boa-fé ou não, o que, diante do histórico do policial e dos depoimentos de várias testemunhas seja algo para se levar em conta (leia texto no site).
“Ao que tudo indica, o delegado Rodrigues não conhecia o sistema e não tinha facilidade em compreender informática”, ponderou o promotor. “Para facilitar o trabalho, acabou fornecendo códigos pessoais para uma funcionária, que, por sua vez, teria passado aos outros dois policiais. Em minha opinião, se ele estivesse vivo, seria o caso de receber uma punição administrativa; eu não o denunciaria”.
Carlos Constantino criticou a atuação da Corregedoria da Polícia Civil que chamou para si a responsabilidade da investigação na fase policial, já que se tratava de apuração do envolvimento de policiais. De acordo com ele, o órgão agiu como Pilatos, ao concluir pela impossibilidade de determinar a participação dos policiais envolvidos. “A Corregedoria avocou o direito às investigações, mas lavou as mãos, dando a entender que a culpa foi toda do delegado que morreu. Assim fica fácil”, disse.
Diante da posição oficial da Polícia Civil, o Ministério Público pediu novas diligências à delegacia de Ituverava, desta vez para finalizar a conclusão do inquérito e possível indiciamento de todos os envolvidos.
De acordo com o promotor, o pretenso despachante Paulinho Abel, que figura em outras investigações pelo Estado, foi pego também através de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. Cópias dos inquéritos em que figura como investigado nos municípios de Guará e Ferraz de Vasconcelos deverão ser enviadas a Ituverava para análise da promotoria.
Constantino afirmou que o despachante será denunciado por corrupção ativa. Os funcionários responderão por corrupção passiva e deverão responder a processo administrativo. Os motoristas, considerados partícipes, responderão, ao lado dos policiais, por falsidade ideológica em documento público. “Vou provar a participação de cada um neste crime. Isso é certeza”, afirmou Constantino.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.