Estabelecimento de saúde


| Tempo de leitura: 4 min
Para os que tratam medicamento como mercadoria e farmácia como negócio a palestra que será proferida logo mais à noite pelo farmacêutico e presidente da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), doutor Dirceu Raposo de Melo deve servir como um ponto de partida para um novo paradigma. Farmácia tem que ser estabelecimento de saúde. Há anos acompanho o trabalho do doutor Dirceu Raposo, sei de suas convicções como ser humano, como farmacêutico e como homem público. Como presidente de uma das mais importantes agências reguladoras do Brasil tem desempenhado papel importante na modernização do arcabouço de regras sanitárias aplicadas à produção e comércio de medicamentos. Desde os tempos em que era presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Dirceu Raposo ousou agir e fez cumprir a Lei 5991/73 que garante a toda a população o direito de ter a presença de um farmacêutico em todo local onde haja produção, comercialização e distribuição de medicamentos. Conduziu com determinação o processo de implementação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, uma espécie de malha fina digital da venda de medicamentos controlados no Brasil. E mais recentemente tem apoiado irrestritamente as ações do CRF-SP em prol da definição legal de farmácia como estabelecimento de saúde. É evidente que há pontos nevrálgicos a serem discutidos sobre o tema, mas é preciso admitir que o projeto representa um avanço não só para os profissionais farmacêuticos, mas principalmente para a população que passará a contar com farmácias nas quais o objetivo primeiro será a recuperação e a manutenção da saúde da população. Num Brasil onde o acesso aos serviços de saúde parece ser cada vez mais difícil a proposta de atenção primária à saúde, através de ações como a verificação e o monitoramento da pressão arterial e glicemia verificação de temperatura e realização de curativos de pequena complexidade podem representar uma importante forma de amenizar o sofrimento de muitos. É por isso que acredito que ao qualificarmos a farmácia como estabelecimento de saúde poderemos modificar definitivamente o perfil dos estabelecimentos farmacêuticos do País, que em razão de sua diversidade sócio-econômica, assume em determinados lugares ares de mercearia do século passado e em outros o aspecto de grandes magazines onde a principal mercadoria é o medicamento. Os desafios ainda serão muitos, dentre eles a fiscalização sanitária, uma atividade cada vez mais difícil de ser praticada em razão do modelo que temos adotado nos últimos anos no qual a municipalização do Sistema Único de Saúde representa um importante obstáculo ao cumprimento de determinadas tarefas. Também é preciso que se diga que foi realmente uma pena não termos conseguido garantir um cronograma para que em tempo legal a farmácia passasse a ser uma profissão exclusiva dos profissionais habilitados pela faculdade de farmácia, como é possível verificar em países da Europa. Mas devo dizer também que reconheço a importância e a amplitude das ações que se processarão a partir desta nova etapa da farmácia brasileira e espero, sinceramente, que profissionais, empresários e população dediquem-se ao máximo em prol deste que parece ser um dos mais ousados e bem planejados passos da ANVISA nos últimos anos. ‘DELIRIUS POLITICUS’. E não é que a última pesquisa de intenção de votos para prefeito provocou um verdadeiro reboliço nos bastidores das campanhas? Teve candidato se descabelando porque jurava que os números seriam muito melhores. Outros comemoraram surpreendente aceitação junto à população. Nem tanto ao céu nem tanto a terra, diria este colunista, afinal de contas estatística é uma ciência parecida com os biquínis - afinal, mostram muita coisa, mas sempre escondem o essencial. USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS De acordo com a Conferência de Especialistas sobre uso Racional de Medicamentos em 1986 só há uso racional de medicamentos quando os pacientes recebem medicamentos apropriados às suas necessidades clínicas, em doses adequadas e individualizadas, pelo período de tempo necessário e a um custo razoável para eles e sua comunidade. Eu complementaria dizendo - e com acompanhamento profissional farmacêutico. SÓ PRA NÃO PERDER A PIADA. Sei que quando lida por alguns a coluna de hoje vai parecer coisa de puxa-saco por isso lembrei da piada do cara que chega para o chefe e diz: “Chefe, adivinha quem são as duas pessoas que eu mais gosto nessa vida?”. E o chefe responde: “Sua mãe e seu pai, é claro”. O puxa-saco então corrige: “Nada disso chefe. A primeira é o senhor e a segunda o senhor pode indicar”. Alexandre H. Leonel Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários