O crucial problema das crianças abandonadas continua em busca de possível solução. Mas passa ao largo, ninguém ousa buscar entrar a fundo no cerne da questão. As igrejas incentivam à procriação posicionando-se contrariamente ao efetivo controle da natalidade. Do mesmo modo, os políticos se arrepiam, fogem como se avistassem um tenebroso fantasma.
Estamos assistindo hoje a fatos estremecedores, como a doméstica que abandonou seu bebê ainda com cordão umbilical numa lixeira em Franca, no bairro São José, porque não quer nem pretende criá-lo. Se o menino - que ganhou na Santa Casa o nome de Luizinho - não tivesse sido encontrado a tempo pelo aposentado Avelino Gimenes, teria morrido vítima da própria mulher que lhe deu a vida.
As mães e pais que abandonam seus filhos; jogam em córregos; em latas de lixo ou em matagais, deveriam receber tratamento do Estado como criminosos hediondos, com pena de detenção inafiançável não superior a 30 anos e nunca inferior a 20 anos.
Seus filhos poderiam ser encaminhados à adoção e as identidades e endereços dos pais adotivos, mantidos em sigilo absoluto pelo resto da vida. Estas pessoas, os pais que cometem este tipo de crueldade, por mais bárbaro que possa parecer, teriam que passar por cirurgias de esterilização, para não poderem ter mais filhos. Pessoas que agem assim serão um risco eterno e a psiquiatria moderna jamais conseguirá decifrar os códigos e reações que estas mentes podem produzir.
Também em Franca, o outro lado da moeda. M. tem apenas 14 anos, é de família pobre e está grávida de cinco meses. Soube, depois de dois exames de ultra-sonografia, que a criança que carrega em seu ventre poderá nascer sem cérebro - anencefalia. Interrogada no começo desta semana pela repórter Nelise Luques, desse Comércio e da Rádio Difusora, se pretende abortar o filho, não hesitou em responder: “Uma mãe que aborta uma criança não tem sentimento pelo filho. Eu o sinto mexendo dentro de mim. Coisa de mãe, não tem como explicar, fico com meu filho, seja o que Deus quiser”.
Ouvi diversas vezes o áudio com essa entrevista, gentilmente cedido pelos amigos da Difusora, Cíntia Flávia e Everton Lima. Ao terminar de ouvir aquela criança de 14 anos que lutava para ser mãe, mesmo sabendo da triste sina reservada ao seu bebê, confesso, meus olhos estavam em desordem. Eu estava chorando. Enquanto uma mãe de 33 anos joga um bebê saudável numa lixeira, é encontrada pela polícia dias depois e renega pela segunda vez criar seu filho, outra de 14 anos luta para ter em seus braços o fruto do seu amor, com o apoio do companheiro e da família.
Essa garota sabe que seu filho pode ter poucos dias de vida, ou até horas, mas, em nenhum momento pensou em abortar, muito menos, abandonar sua progênie à própria sorte. Afinal, mãe que é mãe carrega escrito nos genes e inoculado pela evolução o instinto materno que jamais permitiria atrocidades desse tipo.
O abandono de crianças é um assunto complicado, diante de valores religiosos, familiares. Mas não se pode permitir que a praga se alastre. Não podemos deixar que tudo role como se nada estivesse acontecendo. E ainda, pra complicar, a burocracia que inibe adoções. Pobre Brasil, pobres crianças abandonadas... Será que um dia alcançaremos a civilização, com a desejada inclusão social e a liberação feminina de preconceitos?
CERTEZA
Devemos fazer justiça aos candidatos: a transparência. Quando eles prometem, passam para nós a certeza de que não irão fazer...
CIRCULA NA INTERNET
As múmias não fazem amigos porque elas são muito amarradas em si mesmas.
FRASE DE BOTEQUIM
Sabe o que acontece quando os gambás discutem? A coisa fede.
NEGATIVO
Especialistas em Saúde Pública alertam para os reflexos extremamente negativos, não apenas para a classe médica, mas para a população como um todo, da perda de qualidade do ensino médico no Brasil. Especialistas destacam que a mediocridade médica aumenta de ano a ano, tendo em vista que, com a formação de dezenas de milhares, não há residência para todos, não há pós-graduação nem empregos, o curso é demorado, não há aprendizado suficiente e não há massa crítica ou hospitais de base. É hora de se fazer alguma coisa.
POSITIVO
Organizada pelo Grupo Corrêa Neves de Comunicação, com apoio do Hospital Regional e Câmara dos Dirigentes Lojistas, acontece neste sábado, no salão nobre do Castelinho, a noite de gala do Top of Mind. O agito da festa mais esperada do ano será da banda ribeirão-pretana Rod Hanna, a originalidade da Renzo Decoração e a sofisticação do Buffet Spazio. Mais de 1,1 mil pessoas são esperadas nesta festa que reunirá os principais empresários de Franca. Participei do júri que escolheu como Empresário do Ano o Magazine Luiza; Empreendedor Social o Hospital Psiquiátrico Allan Kardec e Hors-Concours de Empreendedorismo Social, Eliana Justino, do Proreavi.
NO QUARTEL
Soldado se dirigiu ao coronel comandante e solicitou um dia de folga para comparecer ao casamento da irmã dele. Mais tarde o comandante o chamou aos gritos: “Você é um mentiroso. Telefonei para sua irmã e ela disse que está casada há mais de um ano’. O soldado respondeu: ‘Mentiroso é o senhor, porque nem irmã eu tenho”.
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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