Abandonado pela mãe em uma lixeira no Bairro São José, Luizinho vive há 13 dias na Santa Casa. Neste período foi renegado ou- tras duas vezes pela mãe - que só apareceu depois de ser localizada pela polícia. Até terça-feira, nenhum parente havia aparecido inte ressado na criança.
A Justiça decidiu, então, que o bebê iria para a adoção. Um casal que aguardava há 9 anos pela oportunidade de adotar um bebê foi o escolhido e preparou tudo para o encontro. Em vão. Um tio biológico procurou o Fórum e disse que quer ficar com o sobrinho.
O processo de adoção foi suspenso e, mais uma vez, o destino de Luizinho está indefinido. Sua avó biológica, localizada ontem pela reportagem do Comércio, torce para que o bebê fique com seu filho e perdoa a filha por tê-lo abando nado (leia mais no site).
Para o casal que receberia o garoto, o que restou foi uma grande frustração. Casados há 18 anos, a professora Roberta*, 38, e o motorista João*, 40, (*nomes fictícios) sempre sonharam em ter um filho. O casal tentou vários métodos para engravidar, mas, sem sucesso, decidiu entrar na fila de adoção. Após nove anos de espera, acharam que o sonho de criar uma criança poderia ser realizado com Luizinho, o bebê abandonado pela própria mãe em uma lixeira no Bairro São José no dia 22 de agosto.
Segundo familiares, o casal teria sido convocado a comparecer ao Fórum de Franca na manhã da última terça-feira. Lá, teriam sido avisados de que adotariam Luizinho. A criança deveria ser retirada ontem, pois a mãe biológica o teria renegado.
Depois de serem comunicados, os pais compraram berço, fraldas e várias roupinhas de menino. Também comemoraram com festa ao lado de familiares. Mas 24 horas depois, quando iriam buscar o recém-nascido, Roberta e João foram informados de que não serão mais os pais adotivos de Luizinho. Pelo menos por enquanto.
Segundo o industrial MB, 46, irmão de Roberta, o casal foi convocado novamente pela Vara da Infância e da Juventude ontem e informado de que a adoção estava suspensa. “Eles disseram que um tio do Luizinho, que seria irmão da mãe dele, apareceu e demonstrou interesse em criá-lo. Falaram que o processo demoraria mais 15 dias até terem a confirmação ou não da adoção”.
A notícia transformou o sonho da família em pesadelo. “Minha irmã está muito abalada. Ela falou que é como se a criança tivesse morrido, como se estivéssemos num velório. O quarto do bebê está montado, tudo pronto. Ela passou a noite toda passando as roupinhas, sonhando. Saímos de um sonho para viver um pesadelo. É uma frustração”. A mãe que adotaria o bebê preferiu não dar entrevista. “Ela está muito abalada”, disse o irmão. “Meu cunhado (que seria o pai adotivo) estava superfeliz. Já tinha programado levar o Luizinho para o rancho, para pescar”.
Para MB, faltou critério na decisão da Justiça. “O juiz determinou que o bebê seria adotado e deveria ter pulso firme na decisão. Não dá para voltar atrás. Entendemos que a família de sangue tem preferência, mas já tinham tido chance de manifestar interesse em criar o Luizinho”, disse ele.
O OUTRO LADO
A Justiça apresenta outra versão para a história. O diretor da Vara da Infância e Juventude, Douglas Quintanilha, nega que tenha aparecido outro parente da criança reivindicando a guarda e não confirma as outras informações dadas pela provável família adotiva. Ele apenas admite que a adoção está suspensa. “O doutor Arimatéa (José Rodrigues, juiz da Infância e Juventude) resolveu suspender porque achou prematura a adoção definitiva apenas dois dias após a mãe confirmar que não ficaria com o filho. Ele fará novas buscas em Patrocínio Paulista para saber se os parentes realmente não ficarão com o bebê”.
A mãe, a doméstica MLPSS, 33, mora em Patrocínio. Na terça-feira, o próprio diretor da Infância e Juventude havia afirmado à reportagem que a criança seguiria para a família adotiva ontem.
Ainda na tarde de ontem, a avó do bebê foi localizada pela reportagem na cidade vizinha e confirmou que um dos quatro filhos decidiu ficar com a criança e que esteve ontem em Franca para conseguir a guarda. “Meus dois filhos estão em Franca com minhas noras e querem a criança” (leia mais no site).
Quintanilha disse que a convocação do casal faz parte dos trâmites comuns a qualquer adoção. Como eram os próximos da fila, foram chamados. “Embora o bebê atenda ao perfil de filho desejado por esse casal, ele tem um problema no aparelho auditivo e precisamos saber se a família aceita e se está disposta a gastar com tratamentos em caso de uma possível adoção. Por isso os convocamos”.
O promotor da Infância e Juventude, Augusto Arruda Neto, não foi localizado para comentar o caso.
Luizinho permanece na Santa Casa de Franca. Não está descartado o encaminhamento do bebê para uma família de apoio. Independente de ter aparecido o suposto irmão da mãe do nenê, Roberta e João terão de esperar para saberem se o sonho de ter filhos será realizado com a chegada de Luizinho.
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