Catadores ‘abandonam’ colheita de café


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A safra de café de Ibiraci (MG) deste ano renderá mais de 340 mil sacas. Para dar conta de colher tantos grãos, os cafeicultores contrataram aproximadamente 5 mil catadores. Boa parte deles veio do norte de Minas Gerais ou da Bahia, como acontece em todas as safras. O problema é que, neste ano, muitos trabalhadores estão indo embora antes do fim da colheita. Um levantamento do presidente do Sindicato Rural, Gaspar dos Reis, revela que 40% dos catadores já voltaram para casa. Muitos abandonaram a colheita no meio, revoltando os cafeicultores. Segundo eles, ainda faltam ser colhidos 50% da produção. Para o sindicalista, um dos motivos que explica a volta antecipada dos catadores é o fato de muitos deles terem neste ano vindo trabalhar com uma meta de ganhos pré-estipulada. “Quando conseguiram juntar o dinheiro que planejaram voltaram para casa. Em algumas fazendas, deixaram muito café para colher. Acredito que esse pessoal está ganhando ajuda do governo com programas assistenciais, por isso se interessa em juntar menos dinheiro”, disse. A cafeicultora Maria Cecília Vilhena levanta outra hipótese para a decisão dos baianos de irem embora antes do fim da colheita. “Eles ganham entre R$ 7 e R$ 12 por alqueire, mas a maioria quer ganhar, no mínimo, R$ 50. Acharam que era muito trabalho para pouca recompensa”. Dos 96 apanhadores contratados no início da colheita, 51 foram embora. “Não temos como segurá-los, o jeito é dar baixa na carteira. Outros ainda ficaram doentes e também foram embora”. A situação foi grave na propriedade de Paulo Teles. “Os 40 trabalhadores que eu contratei foram embora no começo da colheita”. Teles diz estar acostumado com a ida repentina dos baianos. Em vez de contratar outra turma grande, preferiu recorrer a máquinas para fazer o serviço. Para ajudar no serviço que não é feito pelo maquinário, contratou 15 pessoas que, por enquanto, estão resistindo. O casal de cafeicultores Elza Carrijo Barbosa e Nelson Plácido Barbosa até conseguiu terminar a colheita, mas agora não consegue catador para fazer a varredura. “Estamos parados e torcendo para não chover. Se isso acontecer, perdemos o que ficou para trás”, disse Elza. Para o próximo ano, pensam em tomar uma decisão radical. “Estamos querendo comprar máquinas para não ter mais esse problema”. Colaborou Bárbara Borges

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