Um lobo-guará foi flagrado num terreno baldio na Vila Real. Outro transitava em plena Avenida Doutor Ismael Alonso Y Alonso. Gambás são comumente encontrados nos forros de telhados. Tamanduás já apareceram nos quintais das casas. Tantas espécies de animais silvestres mais lembram uma selva, mas as ocorrências foram todas registradas na cidade neste ano; algumas na região central.
Serpentes, cachorros-do-mato e veados também são capturados em Franca. O Corpo de Bombeiros estima que mais de 30 bichos da fauna típica da região são recolhidos por ano.
Entre julho e novembro, são mais facilmente encontrados na área urbana por causa das queimadas. Com as queimadas no corte da cana-de-açúcar e avanço desse tipo de plantação na região, a vegetação rasteira e capim ficam escassos.
Sem alimentos no seu hábitat, os bichos migram para a cidade à procura de comida. Costumam ser atraídos pelo cheiro do lixo na periferia. Mas, quando estão na área urbana, se assustam com o farol e barulho dos veículos e se perdem ao tentar fugir e acabam em áreas centrais do município. “Depois do susto, eles perdem o sentido e não voltam para a mata. Seguindo pelas ruas, acabam chegando ao Centro ou em alguma garagem para se esconderem”, disse o sargento Ismael Alonso Gomes, 55, bombeiro há 26 anos.
O bombeiro explica que normalmente os animais fogem do homem, mas podem representar perigo quando acuados. “Os lobos-guará costumam soltar um grito ensurdecer quando cercados. Pode haver ataques sim. Ao sair na garagem de casa, os moradores precisam ter atenção, pois pode haver um lobo agachado atrás do carro, escondido e as pessoas serem pegas de surpresa”.
A orientação é deixá-lo quieto e acionar os Bombeiros ou a Polícia Ambiental para fazer a captura com equipamentos e técnicas apropriados. “Temos redes e dardos sedativos para recolher os animais. Depois encaminhamos para os policiais que fazem a soltura nas matas da região”.
POR TODOS OS LADOS
Segundo o sargento Ismael, os gambás são os animais mais comuns nas capturas. São cerca de 12 ocorrências por ano. Depois deles, estão os lobos-guarás. Os bombeiros recolhem em média oito mamíferos anualmente. O caso mais recente ocorreu na semana passada, no dia 26 de agosto. Um exemplar da espécie foi capturado num terreno baldio da Vila Real, próximo ao Campo de Pólo.
O filho de um mecânico encontrou o bicho e o pai acionou a Polícia Ambiental. O animal foi capturado pela Vigilância Ambiental. O funcionário subiu no muro e laçou o bicho.
Nem sempre a captura é tão simples. Em abril deste ano, um lobo foi visto pela Avenida Ismael Alonso Y Alonso. Assustado com os carros, pulou no córrego, desceu em direção ao posto Galo Branco e, depois, tentou se esconder num terreno. Só então foi capturado, levado pelo quartel e solto posteriormente pela Polícia Ambiental no Parque Estadual Furnas do Bom Jesus, em Pedregulho.
Outras cidades do interior registram o aparecimento de animais silvestres. No último domingo, uma onça suçuarana apareceu com as patas queimadas durante um churrasco em Birigüi. Os bombeiros precisaram de três horas para capturá-la, após usarem vários dardos tranqüilizantes. Ela ficará no zoológico.
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