O uso racional de câmeras para a vigilância preventiva de vias e locais públicos é, hoje, um recurso indispensável para a modernização do policiamento. Equipamentos sensíveis e de última geração, vão transformar o superado sistema de observação pessoal num processo dinâmico, inteligente e de resultados. Com seus preços diminuindo, tornam-se acessíveis e poderão substituir com vantagem a presença física do efetivo policial e de viaturas, que com isso só se deslocarão para o atendimento efetivo das ocorrências. Nenhuma polícia do mundo possui homens e veículos suficientes para manter o arcaico patrulhamento permanente.
Com o monitoramento por câmeras, os locais vão ser vigiados em tempo integral, tanto pelos policiais do centro de controle, quanto pela gravação das imagens que, após qualquer ocorrência ou no caso de dúvidas, poderão ser resgatadas e oferecer subsídios e provas para a investigação e planejamento operacional. Sabedores disso, os infratores deixarão de agir na área vigiada. Mas, se agirem, serão prontamente filmados e acompanhados em tempo real.
Os equipamentos serão os “olhos” da polícia. Farão em tempo integral, aquilo que o helicóptero realiza em situações especiais. Os controladores podem acompanhar os suspeitos e infratores, orientando os policiais de campo a intervir somente no momento mais indicado. Isso aumenta a eficiência e diminui sensivelmente a letalidade e o estresse do trabalho policial.
Algumas cidades do interior já desfrutam, há anos, da vigilância eletrônica em suas ruas principais. Seus resultados poderão servir de subsídios para a montagem de um esquema mais amplo. A própria capital de São Paulo também tem pequenas áreas monitoradas e vem aumentando a presença do equipamento nas vias públicas. O ideal é que, ainda na fase inicial, seja elaborado um estudo avançado para que o sistema possa ser interligado e receber as ampliações conforme as necessidades e os recursos disponíveis. A estrutura será mais eficiente se policiais e a viatura só entrarem em cena nos momentos necessários e com o efetivo e armamento próprios para aquele tipo de ocorrência, evitando possíveis excessos e riscos próprios e de terceiros.
Pode-se argumentar que câmeras nas ruas acabam com a privacidade do cidadão. Mas quem está em local público naturalmente já não goza de uma privacidade ampla. Melhor que sua presença seja guardada eletronicamente, inibindo alguém que queira agredi-lo e, se isso acontecer, que identifique prontamente o agressor e este receba a justa punição.
A tecnologia está disponível. A União, o Estado e o município não podem tardar para utilizá-la, pois os criminosos especialmente o crime organizado já usam tudo o que o monitoramento e a câmera podem oferecer de suporte às suas atividades. Os românticos tempos da cavalaria, do “rapapá” e de outras figuras que fizeram a fama da eficiência policial, já estão no passado...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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