Educação ineficiente


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QUALIDADE EM XEQUE - Crianças assistem aula em escola municipal do Jardim Panorama, em Franca. Município investe R$ 3,5 mil por aluno, mas está fora do levantamento de 2005. Levantamento daquele ano aponta que cidades da região
QUALIDADE EM XEQUE - Crianças assistem aula em escola municipal do Jardim Panorama, em Franca. Município investe R$ 3,5 mil por aluno, mas está fora do levantamento de 2005. Levantamento daquele ano aponta que cidades da região
Os gastos com capacitação de professores, reforma de escolas, novos mobiliários e projetos pedagógicos nas escolas públicas das cidades da região de Franca não têm se traduzido em ensino de qualidade. A constatação é de uma pesquisa inédita da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que mostra a região administrativa de Franca como a maior investidora em educação, mas a segunda pior em eficiência (resultado/qualidade). Pelo estudo, a regional (composta por 23 cidades) desperdiça 29,2% do montante investido na área. A cidade de Franca, que dá nome ao pólo regional, não participou do estudo. O valor total aplicado na área não foi informado. Os dados são de 2005. A pesquisa abrange todas as 15 regiões administrativas do Estado de São Paulo e considera o investimento feito em educação e a nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico), aliada aos fatores como taxa de aprovação, distorção idade/série e número de professores de português e matemática. A regional que menos gastou recursos e obteve a maior pontuação no Ideb foi a que alcançou melhor colocação no mapa da eficiência. “A pesquisa é de finanças públicas e não entra no mérito educacional. Queremos saber quanto se gasta para alcançar um produto e esse produto é o Ideb. Por que um município pode alcançar determinado resultado com menos recursos e o outro com mais investimentos não consegue?”, questionou a professora Fabiana Rocha, uma das coordenadoras do estudo. Para os secretários de Educação de Patrocínio Paulista e Franca, o estudo é injusto já que não avalia o trabalho educacional como um todo. Eles também não concordam com o estudo feito por regional. Em Patrocínio Paulista, por exemplo, foram investidos em 2005 mais de R$ 6 milhões em Educação e Cultura, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), e uma de suas escolas alcançou a nota 5,4 no Ideb, uma das maiores da região. “Os municípios com um índice ruim puxam os outros para baixo, o que é não justo”, defende o secretário Elder Alves, ao comentar o resultado regional. Alves diz que o dinheiro foi investido em capacitação, projetos de incentivo à leitura, material didático, transporte e apresentou retorno no aprendizado das crianças. Na Escola “Luís Andrade de Freitas”, os alunos com maior dificuldade em sala de aula passaram a ter acompanhamento individual. Franca não participou da Prova Brasil em 2005 (avaliação que compõem a base para o cálculo do Ideb), por isso não obteve nota no Ideb. Já na avaliação de 2007, divulgada recentemente, quatro escolas do município conseguiram uma pontuação que as equipara a unidades de educação de países desenvolvidos. “O Ideb de Franca está muito bom (5,4), acima da média nacional (4,2), mas sabemos que temos que melhorar, pois não se faz nada sem educação”, disse a secretária responsável pela pasta na cidade, Leila Haddad. No ano de 2005, Franca investiu R$ 59,5 milhões na área. Fabiana Rocha, coordenadora do estudo, afirmou que o objetivo da avaliação é chamar a atenção dos administradores dos recursos e também da população, para que possa ser cobrada transparência e resultados na aplicação do que é investido. “É preciso policiar mais, saber o que está sendo feito. O estudo mostra que mais investimento não é sinônimo de qualidade”.

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