Vitória da gestação


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A sociedade está passando por um período de grandes transformações e esse período deve ser analisado com critério, sabedoria e discernimento para que decisões equivocadas não agridam o ser humano em sua dignidade moral, física, psicológica e espiritual. Valorizamos o ter; o ser está praticamente esquecido. Somente “os perfeitos” têm lugar em nossa atual sociedade. Tudo que é imperfeito deve ser rejeitado o mais breve possível. Sofrimento, nem pensar. Buscamos a felicidade a qualquer preço e com isso estamos nos tornando cada vez mais infelizes. O Supremo Tribunal Federal está prestes a decidir se o aborto, em caso de anencefalia, deve ser autorizado. A questão, do ponto de vista jurídico, baseia-se no fundamento da existência ou não de vida. Se não há cérebro, pode haver vida? A lei que autoriza o transplante de órgãos exige a morte cerebral para autorizar o doação. Eis aí o entrave. O simples fato da Constituição Federal garantir o direito à vida, já é suficiente para impedir o aborto de anencéfalo. Muitos fundamentam que o aborto do anencéfalo deve ser autorizado porque a mãe tem que ter direito à dignidade. Manter em seu ventre um ser que não terá muito tempo de vida após o nascimento é sofrimento desnecessário. Racionalmente, esse argumento é sedutor, mas tenho outro ponto de vista. Hoje temos carro com vidros elétricos, direção hidráulica, trava elétrica, piloto automático, câmbio hidramático, etc. Nossas casas estão lotadas de aparelhos eletrônicos que nos dão as maiores comodidades possíveis. Alimentação também temos em abundância. Ainda que dividida de forma desigual, a comida existente é suficiente. No entanto, mesmo diante de tantas facilidades e ausência de esforço físico e sofrimento estamos nos tornando pessoas fracas. Qualquer problema é suficiente para irmos ao médico em busca de remédio para controlar o estado emocional. Estamos engordando, porque comemos muito e fazemos pouca atividade física. Hoje existe lipoaspiração e até remédios para evitar o exercício físico. Esquecemos de valorizar o sacrifício. A vida vem me ensinando que sempre após um momento de dor, de sofrimento, de angústia, de dificuldade, há sempre uma contrapartida de alegria, felicidade e crescimento emocional e espiritual. Esquecemos que o ser humano é dotado de corpo, alma e espírito e a nossa preocupação tem sido somente com o corpo. Aprendemos muito mais nos momentos de dores e dificuldades. O ser humano que sofre – e, todos nós sofremos –, não perde a sua dignidade de pessoa humana. Continua sendo um ser cuja vida precisa ser valorizada e preservada. Será, então, que o aborto do anencéfalo não é a porta que se abre para a legalização indiscriminada para todo e qualquer tipo de aborto, eutanásia e ortotanásia? Por força da profissão e do envolvimento com a Renovação Carismática Católica tenho contato com pessoas cujas vidas foram marcadas por alegria e sofrimento. Posso afirmar que todas as pessoas que enfrentaram os seus sofrimentos são muito mais felizes do que as que rejeitaram. Quem enfrenta pode experimentar a certeza da vitória, a vitória da gestação, por exemplo, porque uma nova vida, uma nova pessoa só nasce após enfrentar o sofrimento. Sofrer é parte do aprendizado de dignidade do ser humano. Uma roseira deve ser cortada para dar novas rosas. As plantas são podadas para crescer e florir. Devemos ter uma visão sistêmica do mundo em que estamos inseridos e entender que as dificuldades da vida sempre nos engrandecem. Acir de Matos Gomes Advogado, corretor de imóveis, adesguiano e palestrante

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