Adolescente de 14 anos está grávida de bebê sem cérebro


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À PROCURA DE AJUDA - Foto mostra parte das ultra-sonografias feitas pela adolescente PMG, que está grávida de um bebê sem cérebro e pede ajuda
À PROCURA DE AJUDA - Foto mostra parte das ultra-sonografias feitas pela adolescente PMG, que está grávida de um bebê sem cérebro e pede ajuda
Aos 14 anos, PMG enfrenta uma situação que seria complicada para muitas mulheres adultas. A estudante está grávida e terá um filho sem cérebro. Foram feitos dois exames de ultra-sonografia, mas ainda não se sabe se a criança nascerá com microcefalia, uma anomalia grave de má-formação do cérebro, ou se será anencéfala, como Marcela de Jesus, bebê de Patrocínio Paulista que morreu neste mês. A família pede apoio de especialistas para diagnosticar o caso com precisão e esclarecer dúvidas da mãe para a nova fase de sua vida. O primeiro laudo foi feito na Secretaria Municipal de Saúde, no dia 28 de julho, e aponta que o “feto tem anencefalia e que não se observa calota craniana (a cabeça é aberta)”. O segundo exame, feito dois dias depois, na rede particular, relata “ausência parcial do crânio com desenvolvimento anormal do cérebro”. O radiologista Júlio César Zanini, responsável pelo segundo laudo, disse que não é anencefalia, mas a deformidade diagnosticada também é severa. “A criança tem massa encefálica, por isso não é anencefalia”, disse. Já o médico Alcides Quiroz, que fez o primeiro exame, defende outra idéia. “É anencefalia; não se formou o cérebro”. PMG está no quinto mês de gravidez. Descobriu em julho que teria uma criança com deformidade. Sem entender bem o que é o problema, recorreu ao dicionário para saber o significado de anencefalia. “Fiquei muito abalada. Chorei muito. Mas depois a gente conforma, vai aceitando”. Apoiada pelo pai do bebê e familiares, PMG descarta abortar o filho. A jovem poderia pedir autorização na Justiça para tal procedimento. “Eu acho que uma mãe que aborta não tem sentimento pelo filho porque eu sinto ele mexendo dentro de mim, eu sinto que ele já faz parte de mim. É coisa de mãe, não tem como explicar. Como alguém consegue tirar uma criança mexendo, ouvindo, sentindo?”, disse e começou a chorar. Neste momento, foi abraçada e confortada pelo namorado, o açougueiro desempregado DC, 20. Os dois estão juntos há cinco meses. Segundo especialistas, crianças anencéfalas costumam viver apenas horas ou dias. Questionada se está preparada para enfrentar tal situação, a jovem disse, emocionada, que levará a gravidez até o fim. “Seja o que Deus quiser. Aceitei essa gravidez. Não importa se o nenê vai viver segundos. Mesmo sabendo de tudo que pode acontecer, vou até o final, nem que eu tenha que chegar à beira da morte. Pelo meu filho, eu vou”. A mãe da jovem chegou a pensar em aborto após a notícia da anomalia, mas mudou de idéia após as justificativas da filha. “No começo, quando o médico falou para fazer o aborto, achei que deveria. Mas depois que fomos aprofundando e escutando minha filha falar que a criança mexe na barriga, que criou afeto pelo bebê, eu acho que não deve interromper essa vida”. Ciente do peso que uma gravidez na adolescência tem e das dificuldades a serem enfrentadas pela sobrinha, a dona de casa CMP, 30, está em busca de ajuda. “Acompanho tudo sobre a Marcela, de Patrocínio Paulista, e resolvi pedir auxílio. Queria a confirmação do que realmente o bebê tem. Mas para isso, precisamos recorrer a exames mais modernos e que são pagos. Juntamos dinheiro na família e pagamos um exame para ela, mas não temos mais condições. Os ultra-sons custam R$ 200 em média”, disse a tia. Tanto ela quanto a mãe do bebê manifestaram o desejo de conhecer Cacilda Ferreira, mãe da bebê de Patrocínio. “Ela poderia me esclarecer, me ensinar como cuidar de uma criança assim”, disse a jovem gestante. Os pais e familiares da estudante estão fazendo acompanhamento psicológico na UBS da Estação para serem preparados para receber o bebê. Ainda não foi possível saber o sexo do bebê, mas PMG já está com os nomes escolhidos. “Se for menino, chamará David. Se for menina, Vitória”. A gravidez não foi planejada. “Aconteceu. A gente sabia que tinha de prevenir, mas não usamos nada. Agora a criança paga por algo errado que fizemos”. O ginecologista Mário Vaca Jimenez, que acompanha o caso, não foi encontrado ontem na UBS da Estação, onde atua. Em sua casa, informaram que o médico estava viajando e não teriam o celular para fornecer. Colaborou Patricia Paim

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