Os casos de anencefalia (bebês que nascem sem cérebro) são raros, mas, em menos de dois anos, a região de Franca registrou três casos, sendo um em Patrocínio Paulista. Cada um teve um desfecho diferente.
O primeiro deles veio à tona após uma dona de casa francana de 30 anos conseguir na Justiça o direito de interromper a gestação de sete meses de um bebê anencéfalo. Ela foi submetida a uma cesariana no dia 7 de novembro em 2006. A decisão foi inédita em Franca e causou muita polêmica entre os religiosos.
Menos de 20 dias depois, nasceu Marcela de Jesus Ferreira, na Santa Casa de Patrocínio Paulista, uma bebê anencéfala. Ao contrário do que aconteceu em Franca, a patrocinense Cacilda Ferreira não cogitou interromper a gravidez. As primeiras previsões médicas apontavam que o bebê sobreviveria por apenas poucas horas. Mas Marcela contrariou todas as previsões médicas e conseguiu viver um ano e oito meses. Na próxima segunda-feira, faz um mês que ela morreu. A causa da morte foi pneumonia e parada cardiorrespiratória.
Marcela se tornou o símbolo da luta contra o aborto de anencéfalos. A menina, inclusive, foi citada nos dois dias das audiência pública realizada pelo Supremo Tribunal Federal em Brasília (DF), que discute até a próxima semana a possibilidade de legalizar o aborto em casos comprovados de gestação de bebês anencéfalos.
O último caso foi registrado agora. A adolescente PMG de 14 anos está grávida de cinco meses de um bebê sem cérebro. Com duas ultra-sonografias apontando anomalias diferentes, a jovem precisa passar por novos exames para comprovar que se trata efetivamente de um caso de anencefalia. “Estamos atrás de ajuda para melhorar o diagnóstico e dar todo o suporte para a gravidez de minha sobrinha já que ela não quer fazer um aborto”, disse CMP, tia da garota.
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