IBGE diz que população de Franca encolheu nos últimos dois anos


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A população de Franca se retraiu e a cidade ganhou apenas 29,8 mil habitantes em oito anos, de acordo com estimativa divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Pelo estudo, a cidade está entre os dez municípios com mais de 250 mil habitantes que menos cresceram no comparativo entre 2000 e 2008. No Estado, a cidade que mais cresceu foi Guarujá, com um avanço de 26,45% no número de habitantes. No começo da década, Franca tinha 297.352 habitantes. Passados oito anos, a população estimada para 1º de julho deste ano foi de 327.176 habitantes. Um crescimento de 10,02% no período. A retração é constatada ao analisar estudo semelhante divulgado em 2006 que mostra a cidade com uma população de 328.121 habitantes. Pelo IBGE, em dois anos a cidade teria perdido 945 pessoas. Sebastião Ananias, secretário de Planejamento e Gestão Econômica do município, não acredita na existência de um êxodo. Para ele, Franca tem mais de 340 mil habitantes e provas que constatam esse crescimento não faltam. “Temos fila de espera para moradias, quando um loteamento é lançado, a venda é rápida e temos um alto índice de construção de casas populares. O perfil da cidade mostra o contrário”, disse Ananias. Em março, uma única construtora lançou 832 moradias em três condomínios em fase de construção, mais da metade já vendida. Até o fim do ano, imobiliárias e construtoras lançam cerca de 17 empreendimentos que juntos comercializarão aproximadamente 2,9 mil imóveis. O secretário afirma que questionará o IBGE a respeito dos números apresentados, pois uma redução da população reflete na economia local. “Essa é uma péssima informação. Os repasses podem ser reduzidos ou mantidos sem aumento enquanto a população não pára de crescer”. O estudo divulgado ontem serve como base para o governo federal estabelecer as quotas nos Fundo de Participação dos Estados e municípios. RUIM POR UM LADO, BOM POR OUTRO Para Ananias, os pontos negativos de um constante crescimento seriam o agravamento de setores como saúde, transporte, segurança e educação e uma queda na qualidade de vida. “Aumentam-se os custos e prejudica-se a qualidade de vida. Na verdade, é uma faca de dois gumes”. Hélio Braga, professor de economia e coordenador do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef, tem opinião diferente. Ele concorda com os números do órgão, pois acredita que a indústria de Franca tem atraído menos migrantes. “A taxa de crescimento demográfica está menor, as indústrias calçadistas encolheram. Os migrantes continuam vindo, mas em número menor. Franca deixou de ser ponto de referência”. O economista lembra que uma taxa de crescimento menor provoca um efeito tributário negativo, pois há menos contribuintes e uma redução no repasse de verbas, mas defende que a redução do crescimento ajuda a recuperar investimentos e a melhorar a qualidade da expansão física. “O crescimento fica mais ordenado e há possibilidades de melhorar a qualidade dos serviços públicos, além de evitar o crescimento de problemas sociais”.

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