Todos emigram


| Tempo de leitura: 4 min
O dicionário Houaiss define o vocábulo plêiade como: reunião de sete pessoas ilustres, e, por extensão, grupo de homens ou de literatos famosos. Na sua etimologia, que é grega, a palavra deriva de Pleias, adós, “constelação das Plêiades, formada de sete estrelas”, que designa também sete poetas alexandrinos. No latim, plêiades ou pliades, são as sete filhas de Atlas, deus da mitologia grega que sustentava as colunas do céu e detinha o oceano. Suas filhas é que se tornaram a tal constelação. Em Franca, Plêiade é o nome de um grupo de dança contemporânea formado por seis pessoas: Lilian Mello, Ana Maria Barros, Andréia Barcelos, José Silva, Luciana Pimenta e Talita Freitas, todos vindos de sólida formação em balé clássico. “É natural essa extensão do clássico para o contemporâneo. Chega um momento em que o gênero não nos satisfaz mais. Até mesmo em função das exigências que o balé clássico impõe ao corpo”, considera Ana Maria Barros, uma das fundadoras do grupo. Por sua bagagem - 15 anos de estrada, várias apresentações e prêmios conquistados (veja abaixo) -, pela produção bem cuidada, que inclui multimídia, instrumentação ao vivo, figurinos, cenários, iluminação, ensaios fotográficos, o grupo vai se firmando na linguagem contemporânea que se define pela fragmentação de referências na busca de um todo e justificando seu nome. Suas fontes mais evidentes são o Grupo Corpo, Quasar, Momix, Deborah Colker, Blue Men, De La Guarda. A Plêiade talvez possa também ser definida como modernista, na concepção antropofágica da assimilação do novo para a criação de uma identidade própria. “Temos no grupo professora de música, arquitetas, psicóloga. Nossas referências vêm de várias fontes. Buscamos, nesses grupos de ponta, a movimentação. Mas nossos espetáculos já têm uma personalidade, não se parecem com nenhum desses que estão evidência. Deles, buscamos os conceitos. Buscamos trazer a vanguarda para Franca, embora não sejamos conceituais. Pina Bausch talvez seja a maior alusão. Não dá para vê-la em cena sem sair transformado da platéia”, reflete Ana Maria. No currículo do grupo constam as apresentações À Sombra das Flores; 47 Tentativas; Quisquefosse 2; Despertar; Tanto faz... O que não foi, não é; Desce; Caminhos; I’M Sorry, entre outras. Os dançarinos trazem agora o espetáculo Todos (E)migram, que faz referência ao poema “Canto dos Emigrantes”, de Alberto da Cunha Melo, musicado pelo Cordel do Fogo Encantado. Concebido por Lilian Melo, o tema fala basicamente da emigração, no sentido amplo do termo: as mudanças que fazemos, de um lugar para outro, de um ideal para outro, de um amor para outro. “Motivados pelas dificuldades cotidianas, por novos caminhos, por oportunidades profissionais, ou simplesmente pelo passar do tempo, estamos sempre mudando. Estamos sempre escolhendo uma direção a seguir, eternos emigrantes”, explica Lilian Mello. Outros versos, de autores como José Nêumane Pinto, Carlos Pena Filho, Samuel Rosa e Chico Amaral, inspiram e compõem a montagem que conta ainda com percussão criada por Alex Reis e participação do grupo Pratocá. “Também tivemos aulas de percussão para nos apresentarmos”, lembra Ana Maria Barros. Por meio das cenas que vão se alternando com textos e imagens, o grupo lança ao público a pergunta: “O que nos move de um lugar a outro? O que faz com que nos levantemos pela manhã e nos deitemos à noite, dia após dia?” Tentando fugir do didatismo de momentos iniciais de sua carreira, em que tentava explicitar o roteiro em cena e, considerando, com a maturidade alcançada, não ser realmente possível, na arte, controlar a leitura do outro, sendo esta subjetiva, a Plêiade se coloca, afinal, um objetivo maior, lançando mão de seus vários recursos: melhor que entender o espetáculo, talvez seja senti-lo. PREMIAÇÕES - Festival Nacional de Dança de Uberaba (MG) / 2002 - 2º lugar / Grupo / Contemporâneo. - Sesc Bienal de Dança - Santos (SP) / 2002 - Classificação para a fase final da Seleção de Grupos em todo o Estado de SP. - Sesc Mostra de Dança do Interior Paulista - São José do Rio Preto / 2003. Sesi - Projeto Novos Talentos / 2004. - Festival de Dança de Franca - Franca (SP) / 2004 - 1º lugar / Grupo / Contemporâneo. - Festival Dança Ribeirão - Ribeirão Preto (SP) / 2005 - 2º. Lugar / Duo / Contemporâneo SERVIÇOS O que: “Todos (E)migram” Onde: Pavilhão Américo Pizzo (Francal) Quando: hoje, às 21 horas Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia): na bilheteria

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários