Babacas e políticos


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Quando um político eleito monta seu próprio gabinete em cima do palanque, fica difícil acreditar que a eleição acabou. Lula usa e abusa desse hábito. Basta um degrau, um microfone e uma meia dúzia de ‘companheiros’ para o candidato voltar a dar as caras. A penúltima vez foi em Juazeiro do Norte (CE), na semana passada. Cumprindo agenda de chefe de Estado, nosso guia foi à lida para a inauguração do campus universitário da cidade cearense. E deu-se o esperado. O que podia ser apenas um desatar de nós da faixa inaugural transformou-se num inflamado discurso no qual a regra foi a já tradicional análise: deu errado, culpa deles; deu certo, mérito nosso. Sem dar nome aos bois, Lula usou por duas vezes a palavra “babaca”. Isso mesmo: b-a-b-a-c-a, que segundo o Moderno Dicionário da Língua Portuguesa Michaelis quer dizer “tolo, bobo, boboca”. Usou o adjetivo para qualificar os opositores do Prouni (Programa Universidade Para Todos), tido por ele como uma “idéia genial”. Na segunda vez que usou a palavra de origem indígena (“babaquara”, aquele que não sabe nada), Lula o fez em referência aos estudantes ricos, afirmando que “o babaca rico que já estava estudando não queria que o pobre tivesse a chance”. Compreendo o discurso de Lula se o ouço apenas como um discurso de candidato em busca da sonhada vitória nas urnas, mas me permitam registrar minha preocupação com esse tipo de discurso, quase sempre chato, repetitivo e por vezes leviano, e que quase sempre parece ter a intenção de criar animosidades entre ricos e pobres. Sinceramente não creio que discursos com tal teor sejam frutos apenas do improviso ou do “calor” do palanque. Frases de efeito com tamanha capacidade de gerar polêmica devem ter uma intenção, uma razão de ser. Então me pergunto o que pretende nosso presidente? Incitar o conflito entre classes sociais? E o que há de errado em ser rico? O que há de errado em ser pobre? Ou melhor, o que é ser rico? O que é ser pobre? Conheço muita gente rica que daria tudo o que tem em troca de ser feliz. Conheço muita gente pobre que não trocaria sua vida por nada desse mundo. Deve ser por essas e por outras que às vezes me pego pensando e tentando entender determinados políticos. Quando Lula chama de babacas os alunos ricos, quando alguém critica as elites do País eu me pergunto se as arcas dos partidos desses mesmos políticos não estão cheias de dinheiro e se não são os políticos um seleto grupo de cidadãos ricos neste País de tantos miseráveis. Será que entre os ricos e babacas estudantes citados por Lula estão também os filhos de muitos políticos? Afinal de contas quantos filhos de políticos estudam em escola pública? Para responder, por favor considere apenas os que ainda estudam no Brasil... Quando chama de babaca os estudantes ricos será que Lula chama também de babaca o filho do seu médico particular, os filhos do seu marqueteiro predileto e porque não dizer, até mesmo os seus filhos? Penso, e espero estar certo que se engana Lula ao pensar que pobres e ricos montarão barricadas e lançarão granadas uns contra os outros. E mais, se Lula e seu governo fizeram tanto pelos pobres deste País como dizem que fizeram, em breve só teremos ricos por aqui e então ele não terá mais com o que se preocupar, ele será o grande líder dos babacas. Ou será que chamando ricos de babacas, Lula pretende despertar nos ainda pobres uma certa ojeriza pela riqueza, o que de certa forma muito teria a beneficiar determinados políticos e suas políticas? ‘DELIRIUS POLITICUS’ Na semana passada um leitor assíduo desta coluna me questionou sobre meu voto nas eleições municipais. Disse-me que deveria me posicionar. Infelizmente não há como atendê-lo. O período eleitoral me impede de declarar minha intenção de voto. Penso também que isso tenha pouca ou nenhuma importância no cenário político municipal. Mesmo assim prometi pensar no assunto. SÓ PRA NÃO PERDER A PIADA A respeito dessas coisas de dar opinião em disputas, lembrei-me daquela história do cara que chega à rinha de galos e pergunta ao mineiro sentado no canto do salão qual era o galo bom dos que estavam no ringue. O mineiro aponta para um deles. O cidadão aposta mil reais e o tal galo leva uma surra daquelas. O apostador frustrado vai queixar-se com o desconfiado mineiro que retruca: “Você me perguntou quem era o bom. O bom é aquele mesmo, o ‘marvado’ é o que ganhou”. Por isso que eu digo: o bom nem sempre vence. Alexandre H. Leonel Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br

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