Um grupo de pais de alunos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Franca se reuniu na tarde de ontem para elaborar perguntas que serão feitas hoje na audiência pública sobre inclusão educacional de pessoas com necessidades especiais. O encontro promovido pela Promotoria de Justiça acontece nesta sexta-feira durante todo o dia no Uni-Facef, a partir das 8h30. São aguardadas mais de 400 pessoas.
A finalidade da audiência é debater os prós e os contras da inclusão na rede regular de ensino de todos os alunos deficientes atendidos pela escola especial da Apae. A resolução da Secretaria Estadual de Educação que obriga essa transferência deve ser cumprida até 2010. O pai ou responsável que não obedecer à norma pode ser processado.
A contadora Elizabeth Tanja é uma das mães que integram o movimento em defesa da permanência das crianças na escola da Apae. Ela tem uma filha com paralisia cerebral na pré-escola da entidade. A garota tem 6 anos, é cadeirante, faz uso de fraldas e precisa de atenção exclusiva para comer e desenvolver outras atividades. “A Bianca é uma das crianças que têm maior evolução para freqüentar uma escola regular, já consegue conhecer as letras e fazer desenhos, mas sei que as escolas ainda não estão preparadas para recebê-la”, disse a mãe.
Elizabeth afirma não ser contra a inclusão. Sua indignação e de outras mães é por conta da forma como o processo está sendo feito. “As escolas regulares não têm profissionais suficientes para atender todas as crianças da Apae. Tem aluno que tem a alimentação controlada e não pode comer potássio. Como uma escola normal vai controlar isso?”
Durante a audiência de hoje, dois representantes do grupo de pais terão espaço para apresentar suas reivindicações e tirar dúvidas sobre o tema em um dos cinco painéis de explanação. “As mães estão preocupadas, por isso montaram essa comissão. Elas querem ter o direito de escolha para a educação dos filhos”, afirmou Niura Costa Agostini, diretora da Apae.
Crésio Donizeti de Souza, pai de uma aluna com síndrome de Retti, escreveu uma carta que gostaria de apresentar aos participantes do encontro de hoje. Nela, ele relata as experiências que teve ao colocar a filha numa escola regular. “Ela foi rejeitada. Os pais de alunos se reuniram e pediram a saída da minha filha. As escolas não estão preparadas para essa mudança. A Apae tem a escola especial e é aqui que as crianças devem ficar”, defendeu.
Promotor de Justiça da Defesa das Pessoas com Necessidades Especiais da Comarca de Franca, Fernando de Andrade Martins, organizador da audiência, disse que haverá um espaço de debates de duas horas de duração em que representantes dos segmentos poderão expor suas opiniões. “No debate, poderemos chegar à conclusão de que é necessária uma transição tranqüila para a inclusão”. A audiência tem previsão de se estender até as 18 horas.
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