É inegável o fato de que o asfalto tem trazido melhorias significativas nas vias do leito “carroçável” aqui da província. A massa preta derivada do petróleo, além de permitir o rolamento suave e contínuo do veículo, convida os dotados do “retardo” da imprudência a desenvolverem velocidade alucinante, o que tem colocado muitos em situação de risco iminente pela previsibilidade dos perigos do trânsito francano.
Seja qual for o motivo: pressa, nervosismo, curtição, prazer ou distração; a verdade é só uma: velocidade excessiva pode causar desgraças e não haverá comandos de computador para “desfazer” ou “deletar” as marcas profundas trazidas pelas experiências traumáticas deixadas pela irresponsabilidade.
O termo “carroçável” que define o local por onde se transita os veículos é muito apropriado, lembrando carroça que lembra animal, que remete a algo irracional e gera a idéia de brutal, que se assemelha a mulas teimosas, relutantes em obedecer. Pode ser assim (como de uma mula) o comportamento no trânsito de alguns “cidadãos” que ainda não atentaram que estão agindo como verdadeiras “bestas” conduzindo seus veículos sem consciência alguma, excedendo estupidez e desvairadas ações.
Para quem não tira o traseiro do banco do veiculo, “ganhando calorias”, é impossível (empiricamente) saber a triste realidade vivenciada pelos pedestres. Sem exageros, hoje, cruzar uma avenida é quase um exercício de estratégia que envolve física, cálculo, logística e também razoável condicionamento físico para não ser atropelado por uma “mula” qualquer solta pelas ruas.
Quem seria então o culpado pelo estado periclitante estabelecido no trânsito francano? Sem rodeios, não é difícil a resposta: o próprio condutor desleixado à observância dos limites que a lei impõe no trânsito. Tem quem culpe o governo... Mas que culpa teria o governo quando este é apenas um ente sem alma e espírito, desprovido de qualquer tipo de sentimento ou paixão; o Estado é maquina fria e se caracteriza como tal, sem rosto, sem coração.
As pessoas sim, são de carne e osso, e são elas as responsáveis, na essência, por tudo que acontece na sociedade de modo geral. E para aqueles que ainda insistem em discordar culpando governos, continuam enganados. E se ainda resistirem e quererem culpar a máquina estatal, façam a pergunta e arranquem a resposta lá no íntimo do ser: quem elege governos?
O cerne do problema talvez esteja no comportamento egoísta de uma casta de condutores que acham que a prioridade e predileção é sempre deles. Confundem os mimos domiciliares que receberam na condição de cria, por quem os pariu, levando para o trânsito caprichos e melindres incompatíveis com a realidade do mundo extra-familiar. Noutro aspecto, a situação envolvendo o controle de um veículo que pode causar sensação de poder, revela personalidades agressivas e despreparadas que tendem a oferecer alto grau de periculosidade.
Porém, o trânsito não é só dos rudes, abrutalhados ou mimados. Bons condutores ainda existem: prudentes e responsáveis, pacientes e tolerantes, dispostos em ceder em nome da racionalidade e da harmonia humana.
Quanto às “mulas”... Bem, para essas não há muitas esperanças, a não ser que por algum motivo lhes caírem os “tapolhos” dos olhos, passando a andar pelas ruas de nossa Franca como pessoas racionais. Não como animais...
Ricardo Veríssimo Júnior
Funcionário público, ex-conselheiro da Saúde e do Comércio da Franca
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