Aposentado vive deitado há três anos e precisa de ajuda para curar feridas


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A MESMA ROTINA - O curtumeiro aposentado Sebastião Luiz de Oliveira é visto na poltrona da sala em sua casa: senhor precisa de fraldas
A MESMA ROTINA - O curtumeiro aposentado Sebastião Luiz de Oliveira é visto na poltrona da sala em sua casa: senhor precisa de fraldas
Há três anos Sebastião Luiz de Oliveira, 79, vive deitado numa cama de solteiro ou na poltrona na sala de sua casa, no Residencial Jovita de Melo. O curtumeiro aposentado foi vítima de três derrames. O último deixou sérias seqüelas. Ele não fala, não anda, se alimenta por sonda e movimenta pouco os braços. Como só fica deitado, o corpo está cheio de feridas. Mesmo usando colchão especial (caixa de ovo) a pele fica machucada. Sua mulher, a pespontadeira Vera Lúcia de Oliveira, 52, disse que algumas são tão profundas que chegam no osso. O casal pede ajuda de profissionais de saúde e da comunidade, pois está vivendo com dificuldades. Além dos problemas do marido, Vera tem artrose nas pernas e hérnia de disco na coluna. Ela anda mancando e sente dores constantes. Sem condições de cuidar do marido, conta com ajuda de uma amiga de trabalho, a pespontadeira Raquel Pinheiro, 36. Ela dá banho, troca fralda e transporta Sebastião no colo. “Tenho muito dó dos dois. Tem dia que a Vera nem consegue andar”, disse Raquel. Mesmo com dores, Vera tenta trabalhar pespontando calçados em sua casa, mas há três meses não consegue serviço. “Quando tenho encomendas, consigo cerca de R$ 300 por mês, mas está muito difícil. Para conseguir trabalhar fico dez minutos sentada, dez em pé. Tomo de três a cinco remédios por dia para suportar as dores”, disse ela. Sebastião e Vera têm um filho de 32 anos, mas ele mora em outra casa. Os dois têm sobrevivido com R$ 530 da aposentadoria dele. Eles gastam R$ 300 com fraldas e medicamentos. O casal precisa de remédios para dores, para pressão arterial, antibióticos, contra esclerose e pomadas para as feridas. “Passamos pomadas direto, mas sara uma ferida e aparece outra”. Sebastião se alimenta apenas com Nutren (complexo de nutrientes). Ele consome 30 latas por mês e recebe o alimento da Prefeitura. A principal preocupação de Vera é com as fraldas do marido. “Ele gasta cinco fraldas por dia. Se conseguisse doação pelo menos das fraldas, já ajudaria muito”. O aposentado usa 150 fraldas tamanho M, em média, por mês. SOFRIMENTO Ele precisa de acompanhamento com fisioterapeuta, pois o corpo está atrofiando. A perna direita só fica dobrada, não estica. “Não tenho condições de transportá-lo para atendimento na rede pública e não temos dinheiro para pagar um fisioterapeuta particular, que venha em casa”, disse Vera. A pespontadeira disse que não procurou ajuda do poder público pelas dificuldades de se locomover. O secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, foi informado pela reportagem sobre a situação do casal ontem à tarde. Ele prometeu enviar a equipe até a residência. Os profissionais avaliarão a situação e farão os encaminhamentos necessários para o casal, especialmente para a área de saúde. Sebastião e Vera moram na Rua Otávio Franchini, 3.685, no Residencial Jovita Melo.

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