A cada dois meses, mães, voluntários e funcionárias do Cadi (Centro Adventista de Desenvolvimento da Infância), no Jardim Paineiras, se reúnem para preparar e vender pizzas caseiras. São 300 unidades, em média, vendidas por R$ 10 cada. O dinheiro vai para o caixa da creche que, todos os meses, precisa de alguma promoção diferente como alternativa de subvenção. Apenas os repasses obrigatórios dos órgãos públicos, como a Prefeitura, não são suficientes para sobrevivência da entidade.
A promoção das pizzas não é exclusiva da entidade do Jardim Paineiras. Pelo menos dez creches das 32 existentes em Franca também recorrem mensalmente a bazares, jantares, rifas e quermesses para não deixar as finanças fecharem no vermelho. Em alguns casos, 50% das despesas são sanadas com esse tipo de atividade.
Para Fernando de Oliveira Campos, presidente da Aeaf (Associação das Entidades Assistenciais de Franca), todas as creches sempre precisam fazer algum trabalho para ajudar no orçamento. “A Prefeitura repassa de 45% a 47% do que é gasto com a manutenção. O restante é batalhado pelas entidades em eventos e promoções próprias”.
Em novembro, a Aeaf promove a Feira da Fraternidade, em que 40 entidades da cidade vendem os mais diferentes tipos de produtos e presentes (a maioria fruto de doações) com o intuito de arrecadar recursos para a manutenção das atividades. Entre os participantes, 25% são creches que vêem no evento a oportunidade de lucrarem de R$ 3 mil a R$ 20 mil, dependendo do produto a ser vendido.
Na creche Rivieira, no bairro de mesmo nome, são realizados três jantares por ano e um trabalho com mensalistas que fazem contribuições a partir de R$ 20. “A situação seria muito complicada sem essas ações, não conseguiríamos sobreviver”, disse o presidente da instituição, Luciano Faleiros Cintra. A creche atende 60 crianças e tem uma despesa mensal de R$ 7,8 mil, metade precisa ser custeada com atividades extras. “Recebemos o repasse da Prefeitura que é utilizado para pagamento dos funcionários, tem ainda a alimentação e a assistência dada por profissionais, mas isso não é o suficiente”.
Situação semelhante vive a Creche Jardim das Acácias, na região oeste da cidade. A instituição tem 60 crianças, de dois a quatro anos, e necessita de R$ 2,5 mil a mais todos os meses para não ficar com o saldo negativo. “Estamos sempre participando de eventos e pedindo ajuda para os pais e a comunidade”, lembrou a coordenadora Denise de Oliveira Faria.
Por cada criança acima de dois anos na creche, a Prefeitura repassa R$ 64,92. Bebês têm um adicional e recebem R$ 29,20 a mais. Para os presidentes de creches consultados, o valor é insuficiente e precisa ser reajustado. “A Prefeitura ajuda, mas, em torno de 40% do orçamento, é batalhado pela creche. Corremos atrás de mercadorias apreendidas pela Receita Federal, buscamos voluntários e temos a contribuição da igreja, caso contrário não sei como seria”, disse o presidente da Cadi, pastor José Paschoalino.
Hermes Borges, presidente da Creche Bom Pastor, na região do Aeroporto, calcula que o gasto mensal de uma criança é, em média, de R$ 115, por isso as entidades sempre precisam fazer alguma promoção para equacionar as despesas. “Atualmente estamos com uma reserva para manutenção, mas ainda costumamos fazer rifas e temos um trabalho de adoção de crianças”.
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