A dona de casa Ivone dos Santos reúne vários dos principais fatores de risco ao desenvolvimento de uma doença cardíaca. Aos 58 anos, essa paranaense de Londrina, moradora no Parque Vicente Leporace, em Franca, é obesa, tem hipertensão e diabetes. A combinação destas três patologias veio na forma de um infarto no final de julho, véspera de seu aniversário. Na última terça-feira, dona Ivone foi mais uma paciente atendida no Hospital do Coração de Franca, unidade de referência para doenças do coração na região, e que completou 20 anos no início de agosto.
Parte do complexo Santa Casa, o Hospital do Coração passou por alterações em sua configuração, quase todas para adequá-lo às condições atuais enfrentadas pela instituição, cuja dívida atual ultrapassa R$ 48 milhões.
Numa quinta-feira, no intervalo de duas cirurgias, a reportagem percorreu todas as alas e repartições da unidade, conversando com pacientes. Como não atende apenas pessoas com problemas cardíacos, outras esperavam para ser atendidas.
Visualmente, o Hospital do Coração é bem cuidado. Ao menos por onde passou, a reportagem não encontrou nenhum sinal de deterioração, rachaduras, infiltrações, sujeira ou móveis quebrados. Alguns equipamentos, como o ultrassom que gera imagens em quatro dimensões, estavam cobertos para evitar contato com poeira.
Segundo o diretor, o HC, perto de completar 3 mil cirurgias de ponte de safena, está com seus aparelhos em dia e funcionando. Muitos deles, salientou, são novos e não existem em centros médicos importantes do Estado.
Entre as 1.237 cirurgias realizadas em 2007 estavam casos de oftalmologia e ortopedia, como transplantes de córnea e colocação de próteses. As cardíacas ou coronárias, propriamente, respondem, em média, por 40% das intervenções.
No início do ano, a demanda de pacientes em situação de emergência - até dois por dia, considerada pequena pela direção do hospital teria levado à tomada de uma decisão antipática, quando o setor de urgência foi fechado.
O diretor Edson Margarido garante que o fechamento não impede que qualquer pessoa seja atendida, independente da situação em que chegar. "O que não podíamos era manter todas as noites uma equipe plantonista de cinco profissionais sem necessidade", disse ele.
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