Ás vésperas de completar um mês de sua morte, Marcela de Jesus Ferreira, ainda é tema de discussão entre religiosos e entidades contrárias ao aborto. A criança, que nasceu sem cérebro em Patrocínio Paulista e viveu 1 ano e 8 meses, será exemplo durante a audiência pública que o Supremo Tribunal de Justiça promoverá hoje, quinta-feira, e no dia 4 de setembro em Brasília para discutir as possibilidades da Justiça permitir a interrupção da gestação de fetos anencéfalos (sem cérebro).
Cacilda Galante Ferreira, mãe da criança, foi convidada por uma ONG (Organização Não-Governamental) do Rio de Janeiro que luta contra o aborto para participar do encontro. Ela viajou ontem com a filha mais velha, Débora Galante, para a capital federal onde deve permanecer até a tarde de hoje.
Cacilda recebeu o convite com satisfação. “Tenho que continuar o que a Marcela começou. Não posso parar agora”. Acostumada a falar do assunto desde o nascimento da filha, Cacilda disse que, se tiver oportunidade, vai falar da experiência de ter sido mãe de um bebê anencéfalo. “Vou contar como ela sorria para mim e como ela era especial”.
As audiências foram divididas por áreas. Hoje será a vez dos grupos religiosos exporem o que pensam do aborto. Entre os participantes estão a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), de representantes da Igreja Universal, da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, Católicas pelo Direito de Decidir, Associação e Médico-Espírita do Brasil.
Na quinta-feira, será a vez da parte científica. Entre os participantes estará Thomaz Rafael Gollop, representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e especialista em medicina fetal. O médico foi entrevistado pelo Comércio no ano passado e chegou a afirmar que Marcela dificilmente sobreviveria a quatro meses de vida. No dia 4 de setembro participarão representantes da sociedade civil.
A partir das audiências públicas, o Supremo Tribunal Federal votará a legalidade ou não do aborto de bebês anencéfalos. A previsão é que o julgamento aconteça ainda neste ano.
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