A fonoaudióloga Eliana Inácia da Silva, 43, moradora no Bairro São José em Franca, aprendeu na dor a importância da doação de órgãos. Em janeiro de 2003, ela perdeu a filha Karoline da Silva Feliciano, 9, e decidiu junto com familiares doar os órgãos da menina. Ela diz que a decisão foi difícil, mas que o sentimento posterior se tornou gratificante ao conhecer as três pessoas que ganharam nova vida graças aos órgãos da filha.
Karoline morreu dia 27 de janeiro de 2003. Ao fazer uma cirurgia de garganta e ouvido, teve edema pulmonar, ficou cinco dias em coma no CTI (Centro de Tratamento Intensivo), mas não resistiu.
Após receber a notícia da morte cerebral da filha, os pais permitiram a doação dos órgãos baseados no desejo da mãe e no da própria criança, manifestado 15 dias antes. “Eu costumava comentar em família que queria doar os órgãos e um dia ela ouviu meus comentários e disse que também queria ser doadora. Na hora, a decisão foi muito difícil, mas aceitei ajudar outras vidas”, disse Eliana.
Meses depois, Eliana teve a idéia de montar um trabalho para incentivar, esclarecer e conscientizar as pessoas sobre a doação de órgãos, medula e sangue. Assim, surgiu a ONG (Organização Não-Governamental) Recanto Girassol. “Ela tinha um canário com esse nome e fazia poesias sobre girassol e, realmente, ele tem algo especial, pois vai sempre em busca da luz”, explicou.
Atualmente, Eliana trabalha em auxiliar pessoas e famílias sobre o assunto. A ONG também está reformulando o site que terá jogos voltados para crianças e adolescentes referentes ao tema doação de órgãos. “Assim como o girassol busca a luz do sol, nós necessitamos da luz da vida. Seja a luz na vida de alguém, doe órgãos”, é o lema defendido pela idealizadora do projeto.
Os órgãos de Karoline ajudaram a salvar três vidas. Foram doados o fígado e as duas córneas. “É um privilégio que poucos têm. Passei por muitos conflitos até tomar a decisão, mas foi gratificante quando conheci as pessoas que receberam os órgãos”.
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