Vivendo de suaves (e muitas) prestações


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MOTORIZADO E FELIZ - Flávio Ferreira Olímpio financiou uma moto na Hido Motos: parcelas saem mais em conta do que pagar transporte público
MOTORIZADO E FELIZ - Flávio Ferreira Olímpio financiou uma moto na Hido Motos: parcelas saem mais em conta do que pagar transporte público
Há pouco mais de uma semana, o francano Flávio Ferreira Olímpio, 28, comprou uma motocicleta Honda Titan 150 KS, zero-quilômetro, para se deslocar ao trabalho sem ter que depender de transporte coletivo. Sem condições de pagar o valor de R$ 6,2 mil à vista, ele escolheu o que considera mais fácil - um financiamento em 48 parcelas de R$ 223, a juro mensal de 1,96%. “Pela falta de dinheiro, em vez de comprar à vista, prefiro fazer o financiamento, que cabe no bolso”, disse. Flávio exemplifica bem o resultado de recente pesquisa feita pelo Instituto Datalink Pesquisa de Mercado e Opinião: mais da metade dos francanos, quando vai às compras, opta pelas “suaves parcelas a perder de vista”. Segundo o estudo “Grau de Endividamento da População”, encomendado pelo Comércio da Franca e divulgado com o Top of Mind 2008, 56,5% das pessoas têm algum tipo de prestação mensal para quitar. Deste número, 19,4% fazem exclusivamente financiamento de carro e moto, dado que se relaciona diretamente ao crescimento de veículos emplacados em Franca. De 1990 a 2007, a média mensal de emplacamentos saltou de 40 para 249 e o número total de veículos regularizados ultrapassa os 136 mil, segundo dados da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito). A pesquisa conduzida pelo Datalink - composta por 1.200 entrevistas em dez bairros, entre 21 de junho e 1º de julho deste ano - também aponta que 15,2% dos francanos contraem dívidas com roupas e superam os que parcelam casa própria e terreno, que totalizam 8,4% e 2,1% respectivamente. Em destaque, também estão os 5,8% que pagam prestações do aparelho celular. O empresário Hidomeneu Passos Pierri Filho, dono da Hido Motos - líder no Top of Mind no setor de Motocicletas Novas -, informa que fecha uma média de 150 financiamentos por mês. “A moto e o carro são os bens mais desejados da população. Diante de várias opções que oferecemos, os clientes geralmente preferem o financiamento, porque a compra é imediata, as parcelas são compatíveis com o orçamento e existe facilidade na aprovação da documentação”, explicou. Para Hélio Braga, coordenador do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef (Centro Universitário de Franca), a alta nos financiamentos é reflexo da expansão do crédito e do emprego formal. “O trabalho com carteira assinada e o crédito são fatores que alavancaram o consumo. Consequentemente, as pessoas aproveitam a oportunidade e contraem algum endividamento para adquirir bens que não adquiriam antes”, analisa. O economista também explica que casos como o de Flávio são comuns, por conta dos prazos “muito generosos”. “O consumidor acaba se endividando por um prazo maior, mesmo que acabe pagando uma taxa de juros maior”. A onda de parcelamentos, segundo Braga Filho, reflete a estagnação do poder aquisitivo do francano. Segundo o Ministério do Trabalho, a renda média de uma família em Franca é de R$ 848. “Muito embora o mercado de trabalho esteja em fase positiva, a média de rendimentos estabilizou-se num patamar muito baixo. O crédito vem complementar essa insuficiência de renda”, conclui Hélio Braga Filho.

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