`Salta chica`: Elas saltaram


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"Salta chica, salta". Assim, a ex-jogadora cubana Mireya Luís gozava as brasileiras da seleção de vôlei feminino na década de 80. Por mais que as brasileiras treinassem, se esforçassem, pensassem uma tática, pouquíssimas vezes conseguiram bater Cuba. Por torneios importantes, nunca. Ana Moser, Márcia Fu, Fernanda Venturini, Vera Mossa e várias outras sofreram horrores. Mireya, hoje dirigente da federação cubana, com menos de 1m80, tinha uma impulsão fenomenal. Tanto que cortava a bola acima do bloqueio das brasileiras, que geralmente era maiores que ela. Era quando ela soltava: "Salta chica, salta". Um dia a irritação foi tanta que Márcia Fu não agüentou e partiu para a briga em plena quadra. Foi a única vez que vi atletas profissionais de vôlei saírem no tapa. Foi preciso as gerações se aposentarem para que o Brasil passasse a ganhar. Com gerações fortes, o Brasil melhorou, mas ainda assim perdia jogos decisivos. Foi quando os técnicos resolveram aumentar a altura do time através da escolha de jogadoras juvenis que tivessem um biorritmo apropriado. Além disso, passaram a investir na musculação, pois as meninas eram rápidas mas não tinham força. Foi nesta época que José Roberto Guimarães, então campeão olímpico com o time masculino, disse: "Atenção com o físico. Bumbum grande é sinal de desleixo". A vitória de sábado foi a redenção para todos os envolvidos neste processo que começou no final da década de 70. Agora as brasileiras podem responder Mireya: "Nós saltamos". E, desta vez, bem alto.

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