Outro dia, em sua crônica na Folha de São Paulo, o consagrado escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Conny manifestou sua quase crise existencial, bem ao estilo do “to be, or not to be”.
Perguntava ele: porque me convocaram para esta vida, sem me consultar? Porque eu não fui avisado dos principais acontecimentos vindouros? Fez várias referências a acontecimentos da sua vida e perguntou sobre o “existir” e as conseqüências do viver.
Pois é, Cony; a doutrina Espírita tem as respostas. Nos diz de onde viemos, onde estamos, porque estamos aqui e para onde vamos. Ao ensinar que somos espíritos, diz-nos que a nossa essência é espiritual e, por isso mesmo, já existíamos como criação divina antes da atual experiência na Terra.
Diz-nos, também, que, muitas vezes, solicitamos a atual oportunidade reencarnatória, participando de uma “fila” à qual se inscrevem os espíritos necessitados de reajustes. E a nossa experiência aqui na Terra é sempre cuidadosamente planejada, desde os pais e familiares, profissão, local de nascimento, bem como acontecimentos.
Evidente que não há fatalismo, porquanto com o nosso livre-arbítrio, podemos alterar planos e modificar situações. No entanto, nos aspectos gerais, trazemos tendências que nos conduzirão para os objetivos colimados, sem esquecer, é evidente, que as inúmeras vidas que já vivemos influem sobremaneira sobre as necessidades e tendências que traremos para a nova vida.
Vale lembrar, ainda, que a finalidade da nossa existência é o progresso, melhorando-nos à medida que vamos vencendo as imperfeições que caracterizam o nosso modo de ser. Portanto, lutas, dificuldades, dissabores, fazem parte do impositivo aprendizado moral.
Quando partirmos deste mundo não seremos fumacinha que se evolará não se sabe para onde. Seremos espíritos novamente, livres das peias da matéria, com individualidade própria e ainda em evolução.
Como você pode ver, caro e admirado Cony, o Espiritismo nos dá ampla visão da vida e nos ensina a valorizar a passagem pela Terra como se estivéssemos num curso avançado de aperfeiçoamento moral a fim de se construir em nós o Reino de Deus.
E, para encerrar, que tal lermos o ítem “Escolhas das Provas”, constante do capítulo VI, segunda parte, de O Livro dos Espíritos?
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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