Diego Hypólito caiu. Daiane dos Santos errou. Jade Barbosa chorou. Tiago Pereira não repetiu o desempenho do Pan-Americano e frustrou o País. Fabiana Murer perdeu a vara. Jadel Gregório continua sendo uma ótima aposta até que chegue uma competição de peso. Robert Scheidt se atrapalhou com os ventos fracos da bahia chinesa.
Rodrigo Pessoa, com obstáculos erguidos diante dele e de seu cavalo Rufus. Tiago Camilo, melhor judoca do ano passado, não reeditou suas lutas anteriores, até Ricardo e Emanuel perderam. O time masculino de futebol deu vexame diante de seu maior rival, a Argentina. O feminino segue sua sina: jogar bem, mas não trazer o "caneco". E o basquete feminino foi um engodo total.
Restam poucas opções para o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) cumprir o prometido, ou seja, com a maior delegação da história fazer a campanha mais laureada em Jogos Olímpicos. E mesmo assim, o estrago já está feito. A maior Olimpíada de todas parece ter se transformado numa decepção completa. Pelas ruas das cidades brasileiras, o que se ouve é que os atletas e times nacionais "amarelaram".
Difícil dizer não. Com exceção de César Cielo, que fez o que só ele esperava, a grande maioria dos brasileiros que cruzaram o mundo para defender as cores do País não terão muito a comemorar nos próximos meses. Como pode um atleta chegar favorito e sair derrotado? Como acontece de um time fazer uma campanha primorosa e falhar na última partida, no jogo que o fará entrar para o Olimpo dos deuses do esportes? Falta categoria, raça, esforço, sorte? Ou estamos fadados a eternamente padecer no quase ou naquela história de campeão moral da Copa do Mundo de 1982?
Pouco importa jogar bem e perder. Vale mais ganhar e esfregar o resultado na "cara" daqueles que passam o dia dizendo "eu não disse", "nossos atletas são uma porcaria, um fiasco" ou "o Brasil não sabe ganhar, tem que fechar, não tem jeito".
São Bernardinho pode melhorar um pouco tudo isso. Resta rezar e torcer para que o vôlei faça sua parte. Ao time feminino resta apenas um jogo e contra um adversário conhecido. Giba e seus companheiros terão pela frente times fortes. Itália e Rússia ou EUA são certeza de um caminho pedregoso. Mas o prêmio ao final do túnel compensará. Que eles tenham a felicidade de sair vencedores. Não por eles, mas por nós, amantes dos esportes. Nunca duas frases foram tão emblemáticas como agora.
"Quem ganha comemora. Quem perde explica".
Levará muito tempo para o COB - e também para mim - explicar o que aconteceu em Pequim.
Sérgio Marques
Repórter de Esporte
e-mail: sergio@comerciodafranca.com.br
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