Desde quando éramos crianças ouvimos que mentir é coisa feia e que nunca devemos fazê-lo. Com o tempo, percebemos que a mentira pode causar estragos, mas que a verdade pode ser cruel demais. Por isso o conceito de mentir vai se modificando e a sociedade acaba convivendo com as mentiras consideradas inocentes.
A verdade é que nos acostumamos com a mentira, por paradoxal que esta afirmação possa parecer. Tantas são as que ouvimos nas conversas do dia-a-dia, que a mentira acaba por parecer um fato normal e inevitável na vida humana. Nós nos desacostumamos da verdade!
A mentira pode começar a fazer parte da nossa vida de tal maneira que nem a percebemos mais, nem ficamos ‘vermelhos’ de vergonha ao inventar uma. Resolvi abordar esse assunto depois de receber um e-mail engraçado de um amigo, cujo texto, de autoria desconhecida, relata as mentiras mais contadas no dia-a-dia. Foram enumeradas até trinta, mas consegui aumentar para cem, sem muito esforço. São frases curtas, cômicas e que não condizem com a verdade.
Ouvimos sempre quando procuramos um determinado serviço. Quem já não recebeu respostas assim, ao procurar, por exemplo, um gerente de banco para um empréstimo: ‘trabalhamos com as taxas mais baixas do mercado’. Num consultório dentário: ‘não vai doer nada’. No escritório de advocacia: ‘esse processo é rápido’. De um corretor de imóveis: ‘em seis meses colocarão: água, luz e telefone’, ou então de um delegado de polícia: ‘tomaremos providências’.
Mas, afinal, por que mentimos, se sabemos que existe a chance de sermos desmascarados mais cedo ou mais tarde? Que força é essa que nos impele a não sermos sempre fiéis aos fatos? Há mentiras justificadas ou não? Fatos que demonstram o insustentável peso da mentira podem ser colhidos aos montes na história de vida de quase todas as pessoas, de adolescentes a presidentes da República.
Outro dia, no centro de Franca, entrei numa loja de calçados e, gostando de um par de sapatos, pedi o número 41. A vendedora demorou um pouco para encontrar no estoque o par de sapatos que eu queria. Acabou me entregando o número 40, explicando que o 41 tinha acabado. Como me recusei a experimentar, saiu-se com essa: ‘pode levar, fica um pouco apertado, depois alarga no pé’.
Gostaria que o amigo e colunista às terças-feiras neste Comércio, Zdenek Pracuch, explicasse se em Franca já fabricam calçados assim, que se adaptam aos pés, não importando a numeração. Caso positivo, essa novidade precisa ser divulgada ao mundo.
Há outras mentiras, ouvidas sempre no dia-a-dia, como esta do bêbado: ‘sei perfeitamente o que estou dizendo’; do anfitrião: ‘já vai? Ainda é cedo’; da filha de 17 anos: ‘dormi na casa de uma colega’; de jogadores de futebol da Francana durante entrevistas a emissoras de rádio após um jogo: ‘perdemos, mas futebol é assim mesmo, vamos continuar trabalhando’. E a mais ouvida, de políticos: ‘sou honesto, não sei como isso foi parar na minha conta’.
A mentira tem pernas curtas porque sabemos que ela não costuma ir muito longe. Cedo ou tarde, ela cambaleia, tropeça e acaba sendo alcançada pela verdade. Grande ou pequena, danosa ou inconseqüente, piedosa ou maldosa, é bom saber, sempre será uma mentira e, como tal, poderá ferir alguém.
SINOS
Terminada a Olimpíada de Pequim, o Brasil pode consagrar-se o maior produtor de sinos do Mercosul, tão grande será o número de medalhas de bronze. Bastará fundi-las.
PENSANDO NAQUILO...
Na Assembléia Legislativa, o assessor pergunta ao médico deputado ou deputado doutor: ‘qual o termo usado pelos ortopedistas quando se referem a um osso quebrado?’ E o deputado doutor responde? ‘Fatura, meu jovem... Fatura’.
NEGATIVO
Se todo eleitor apenas cultivasse o hábito de observar candidatos, já teria um bom número de motivos para descartar muitos dos que pleiteiam votos nessas eleições. Mais um motivo soma-se à lista de irregularidades de candidatos e seus partidos. Crianças e adolescentes menores de 18 anos têm sido vistas trabalhando em campanhas nas ruas de Franca, configurando mão-de-obra barata e crime não apenas eleitoral, mas também previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Muitos desses pequenos trabalhadores passam horas sob sol forte distribuindo panfletos. Candidato que explora o trabalho infantil não merece voto e deve responder perante a Lei por atos ilícitos.
POSITIVO
Encontrei essa semana com o amigo Alírio Carriço, gerente de vendas dos Doces Binuto, fábrica francana com mais de 60 anos de tradição. Alírio me contou que os cinco doces tradicionais, pé- de-moleque, pé de moleque com mel, doce de leite, doce de leite com amendoim, e doce de leite com coco, já estão sendo vendidos na capital paulista, litoral sul e norte de São Paulo, Estados do Paraná, Pará, Brasília, Vale do Paraíba e em breve para todos os Estados do Nordeste. Alírio Carriço relatou ainda que Alexandre Tasso e Hélio Tasso Jr., diretores da firma, enviaram há alguns meses pedido para exportação também aos Estados Unidos, e estão agora aguardando o visto de entrada naquele país.
TATARAVÔ
O Joãozinho fala para a mãe: - Mamãe, o Juquinha disse que ele tem um ta-ta-ta-taravô. E a mãe falou: - Nossa como ele é mentiroso! E o Joãozinho: - Não, mãe! Ele é gago.
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.