Conhecida desde os tempos bíblicos, a lepra, também chamada de hanseníase, continua a atingir a população. São 22 casos somente na região de Franca, parte deles “importada” do Norte e Nordeste do País. Os migrantes vêm para São Paulo para trabalhar no corte da cana ou na panha de café e, aqui, descobrem a doença.
Transmitida pelo ar por uma bactéria e caracterizada por manchas brancas e vermelhas que aparecem na pele, a doença para muitos é desconhecida e parece coisa do passado. No entanto, dados do Programa Nacional de Controle da Hanseníase do Ministério da Saúde revelam que o Brasil é o segundo País do mundo a registrar mais casos novos da doença. A média anual é de 47.400 casos.
Na região, o médico dermatologista Aldo Fantini Neto, que trabalha no programa desenvolvido no Centro de Saúde de Franca, diz que a doença está controlada e abaixo do limite aceito pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que é de um doente a cada dez mil habitantes. “Franca pelo tamanho da sua população poderia ter até 36 casos, mas para toda a região temos 22. O número poderia ser menor, mas a região recebe muitos migrantes que só aqui descobrem serem portadores da doença”.
O motivo para a demora do diagnóstico é pelo fato da lepra ser silenciosa e as pessoas não procurarem o serviço de saúde ao surgirem os primeiros sintomas. “Cheguei a sofrer uma queimadura no braço e não sentir dor, só então resolvi procurar o médico”, disse o mecânico RF, 44, morador no Jardim Palma.
Hoje, ele ainda sofre com algumas seqüelas (perdeu quase todos os pêlos da perna) e anualmente realiza exames para ver o estágio da doença. “Estou há seis anos em tratamento. Sentia muita dormência nas pernas, mas, como não apareceram manchas, não desconfiei da doença”.
O mecânico afirma não ter sofrido preconceitos por causa da doença, mas sabe que os portadores de lepra são vítimas de discriminação. “Continuei trabalhando normalmente, pois as pessoas não ficaram sabendo. Se soubessem, acho que haveria receio e medo da doença”. Antigamente, portadores de lepra eram excluídos da sociedade em hospitais, hoje desativados, por medo da contaminação.
O dermatologista lembra que, apesar do mito que cerca a doença, a transmissão não acontece por contato eventual. “Assim que a pessoa começa o tratamento, a transmissão é interrompida. Além disso, o tratamento é eficaz e 95% da população é resistente à hanseníase”.
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