O pesquisador Arthur Lupia, da Universidade de Michigan, doutor em ciências políticas, escreveu um livro em que resume suas pesquisas científicas e cujo tema já nos mostra sua grande preocupação: “The Democratic Dilemma: Can Citizens Learn What They Need to Know?” (O Dilema Democrático: Os Cidadãos Podem Aprender O Que Precisam Saber?).
Para responder a esta pergunta, apresento a seguir um resumo de suas incríveis descobertas. (1) O eleitor pode fazer boas escolhas sem ter muitas informações, pode parecer algo incrível para o leigo, mas não é mais para o cientista. Para fazer a escolha, é preciso habilidade para prever conseqüências das ações, capacidade definida pelo autor como “conhecimento”.
(2) O eleitor faz suas escolhas baseado em poucas informações. Isso pode nos levar a crer que os mais inteligentes e preparados analisem também informações irrelevantes. Mas o que acontece de fato é que (3) o eleitor freqüentemente completa a sua falta de informações através do conselho de outras pessoas. Isso dá a capacidade para que se vote bem. Está aí o que chamamos de “formador de opinião”.
Porém, (4) confiar em conselhos a-lheios envolve risco de “decepção”. (5) O eleitor escolhe que conselhos seguir de uma forma previsível. O cientista também observou que (6) as pessoas resolvem muitos problemas complexos todos os dias e resolvem bem usando poucas informações, de que forma? Escolhendo aquelas informações que são úteis. Ainda fica a dúvida, como saber o que seja útil?
(7) Adquire-se conhecimento para escolher de duas formas: por experiência própria ou aprendendo com os outros. Em muitas situações políticas, só se pode contar com a experiência alheia. As más, é melhor saber vendo a experiência alheia e manter-nos bem distantes.
(8) O aprendizado com outras pessoas pode causar: (I) Esclarecimento, quando alguém que tem um conhecimento repassa por ter interesses comuns ou por alguma força externa. (II) Decepção, quando o orador mente. (III) Nenhum aprendizado, quando se obtém informações desnecessárias.
(9) Esclarecimento e Decepção requerem um processo de persuasão, que é definido como uma mudança bem-sucedida em mudar uma crença de alguém. (10) Para haver persuasão é preciso que o ouvinte veja que orador tenha conhecimento e seja fidedigno. Conhecimento e confiança são os fatores fundamentais para se convencer, outros fatores são aditivos, como p.ex. ideologia.
Finalmente, (11) forças externas podem substituir o caráter, como por exemplo haver penalidade no caso de se mentir, como no caso de estar diante de um juiz, ou mesmo haver o risco de se perder a reputação. O mesmo argumento defendido por duas pessoas, a que estiver sujeito a uma “pena” terá maior credibilidade.
Daí, podemos concluir que é muito importante utilizar na campanha os “formadores de opinião” que sejam vistos como confiáveis e conhecedores.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista INPE, professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva – mariosaturno@uol.com.br
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