Última sessão de cinema


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Uma recente reportagem do Comércio abordou os hábitos de lazer cultural de parte da população de Franca. Constatou-se uma baixa freqüência de público nos cinemas da cidade. Junto a isso, algumas das pessoas entrevistadas apresentaram desculpas improcedentes sobre o motivo de quase não comparecer a eventos destinados à exibição da Sétima Arte. Alguém afirmou que há apenas um cinema em Franca e ainda atrasa no lançamento de filmes. As salas de projeção podem estar concentradas em um único local da cidade, mas cada uma delas corresponde a um cinema. Os lançamentos não sofrem atrasos. São apresentados simultaneamente com as projeções de estréia ocorridas nas principais capitais do Brasil e até mesmo norte-americanas. Tempo houve em que a cidade contava com quatro cinemas. O maior deles, o Cine São Luiz, localizava-se na Rua Marechal Deodoro. Nos fundos dele, mas tendo a frente voltada para a Rua Campos Salles, estava o Cine Odeon. O Cine Avenida ficava no começo da Avenida Presidente Vargas. Já o Cine Santo Antônio, com construção moderna em relação aos demais, tinha por endereço a Rua Diogo Feijó, no alto da Estação. As edificações dessas salas cinematográficas, por sorte, não foram demolidas. A maior parte delas abriga atualmente diferentes ramificações religiosas de cultos evangélicos. Demora mesmo, para assistir lançamentos de filmes, o francano enfrentava naquela época, quando esses cinemas estavam na ativa. A espera mínima chegava a atingir dois anos, assim mesmo quando a fita tinha apelo popular. Obra de artes, dificilmente vinham. Tinham que ser vistas em São Paulo. Ou, com muita sorte, em Ribeirão Preto. A exibição de filmes nos cinemas de Franca era uma verdadeira maratona. Como as quatro casas de apresentações pertenciam ao mesmo proprietário, ele alugava duas cópias de filmes por semana. Uma para o São Luiz, outra para o Odeon. As exibições começavam no sábado, com duas sessões. A primeira acontecia sempre às 19 horas. Meia hora depois, tinha início também as sessões do Santo Antônio e do Avenida, com os mesmos filmes apresentados no Centro. Por isso, havia um funcionário encarregado de transportar as bobinas contendo os filmes. Isso tudo era feito com uma perua Kombi. Vezes havia em que ocorria atraso no transporte. O espectador, que já havia assistido o início do filme, era obrigado aguardar a seqüência. Cada bobina de fita continha meia hora de projeção. E não havia reclamações. Assim, a última sessão de cinema, na Estação e na Avenida, acabava por volta das duas horas, no sábado. Sempre com lotação esgotada. No domingo, o horário era diferente. A primeira sessão começava uma hora mais cedo, às 18h. Com sol alto ainda, já havia fila de adolescentes nas bilheterias. Pipoca, nem pensar. A motivação forte era acompanhar os lances da tela. Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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