Milhares de pessoas que passam diariamente pela Avenida Doutor Hélio Palermo, na altura do cruzamento com Rua Afonso Pena, com certeza já repararam as obras de alargamento do Córrego dos Bagres - que têm por finalidade minimizar as enchentes. Mas poucas, certamente, prestaram atenção que dezenas de pessoas estão envolvidas com os serviços e enfrentam trabalho duro e uma rotina estressante de até dez horas por dia, em meio a água, poeira e mau cheiro do local.
A obra emprega cerca de 80 homens que se aventuram numa jornada que começa às 7 horas e só termina às 17 horas. A maioria dos profissionais é de Franca e migrou de outras atividades, como calçado e trabalhos rurais. A responsável pela contratação é a Infratécnica Engenharia e Construções, que venceu a licitação para a execução dos serviços, que começaram há cerca de dois meses e devem durar até o fim de outubro.
Salvador José Diniz, 58 anos, é casado e tem um filho. Há três meses, dirige a pá-carregadeira, máquina que pesa toneladas. “Antigamente, eu dirigia tratores em lavouras. Depois, comecei a trabalhar com pavimentação asfáltica”, disse. Ele ganha R$1.170 mensais.
Como Diniz, Leonardo Henrique de Souza Reis, 22, também é novato na construção civil. “Antes, eu trabalhei em fábrica de sapatos e como vendedor em lojas”, contou o jovem, que pretende cursar faculdade de química e mudar de ramo, por achar a construção civil “perigosa”. “Temos que passar por uns ferros para descer até o chão. Se não prestar muita atenção, é perigoso cair e se machucar sério”, explicou.
Roberto Latorraca Lima, diretor da Infratécnica, disse que - apesar da rotina dura -, não falta mão-de-obra. A não ser de profissionais específicos, como carpinteiros. “Há muita falta desses profissionais em Franca. Sempre que precisamos é difícil encontrar de imediato. Temos um bom número, mas se houvesse mais pessoas qualificadas a obra absorveria”, disse.
Uma das vagas em carpintaria é ocupada por Dimas Donizete Justino, de 51 anos. Ele ganha R$ 629 mensais e diz estar muito feliz com a oportunidade. “Eu nunca tinha trabalhado em construção. Estava há três anos fazendo serviço de fazenda, fiquei muito contente em ser ajudante de carpinteiro e poder aprender mais sobre a profissão”.
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Euclides Cardoso de Sá, 45, é casado e tem três filhos, trabalha como pedreiro nesta mesma empresa há 14 anos. “É um trabalho difícil, mas hoje eu já nem penso em mudar de ramo”. Euclides ganha R$ 920 e sempre trabalhou com carteira assinada.
Todos devem continuar na obra até o mês de outubro, quando os serviços devem ser concluídos. Para eles, o mais difícil na rotina de trabalho é enfrentar o sol forte, a poeira e o mau cheiro. Para conseguir alargar o córregos, são obrigados a entrar em dutos e a carregar sacos de lama e areia o dia todo. “Não é fácil. Mas com o tempo a gente acaba acostumando”, disse Euclides.
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