Brincadeira de gente grande


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Certamente, durante a infância, você já deve ter brincado e se ralado todo, capotado ou perdido uma das unhas ao descer uma ladeira em um carrinho de rolimã, aquele carrinho confeccionado por rolamentos de aço, pedaços de madeira, rodinhas e feito para as crianças brincarem. Para você, esse tempo ficou para trás, mas, para um grupo de amigos bem grandinhos de Franca, essa paixão continua a toda. Formada por jovens metalúrgicos, sapateiros, vendedores e estudantes, a turma leva a brincadeira a sério e, toda semana, se reúne na ladeira da Rua Rio Janundá, no bairro Residencial Amazonas. A mania começou em uma roda de amigos há apenas dois meses. “Estávamos num churrasco procurando uma coisa pra fazer aos domingos. Aí, tive a idéia de montar os carrinhos. Fiz logo seis de uma vez”, disse o encarregado de pintura Nicola Garcia, 26. Depois de pesquisarem uma rua sem movimento e com uma boa descida, foi só chamar os amigos. A maior parte dos que andam de carrinho de rolimã já brincava quando era criança e, agora, um pouco mais crescidinhos, relembram a infância. “A sensação é indescritível. É pura adrenalina, é muito divertido”, disse o vendedor Sérgio Antônio Barros. O dia oficial da brincadeira é o domingo, mas a atividade tem sido estendida também aos sábados. “Os que não trabalham podem vir nos dois dias também, o espaço é livre para todos”, disse. Os participantes afirmam que, dependendo do tipo de rodinha escolhido para o carrinho de rolimã, a velocidade da descida pode chegar a 70 km/h. “As rodinhas de skate são as mais velozes. Para brecar no final, é preciso uma boa derrapada”, disse Barros. O público que participa e que assiste à corrida dos carrinhos de rolimã está cada vez maior. Em média, cem pessoas se reúnem todos os domingos para participar da brincadeira, que começa às 15 horas e só termina à noite. “No começo, éramos 20 pessoas, mas, a cada fim de semana, foi crescendo e agora tem muita gente que traz a família inteira”, disse Nicola. Para andar de rolimã, é necessário ter uma roupa confortável, um capacete e principalmente um bom tênis. “Afinal, ele será o seu freio. Com outro sapato, é difícil parar no fim da rua”, disse o sapateiro, Fernando Inocêncio Barbosa. No grupo de amigos, também há mulheres e crianças. “Qualquer pessoa pode participar. A diferença é que o carrinho de rolimã das crianças é confeccionado com banco menor”, disse a estudante Juliana Toguinatty, 21. Pai e filhos também descem a ladeira juntos. É o caso do metalúrgico Fransérgio Riquieri, 28, e sua filha Samara Riquieri, 4. “Primeiro eu comecei a vir, foi muito emocionante lembrar as minhas origens. Aí trouxe ela, que hoje adora também”. Para quem quiser entrar para o grupo de corredores de carrinhos de rolimã, os participantes avisam que é só confeccionar um carrinho em casa ou em um serralheiro, o custo é de, em média, R$ 20. “Em apenas uma hora, dá para montar um carrinho e estar pronto para entrar para turma”, disse Nicola.

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