Medo e vergonha inibem denúncias


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Medo, vergonha, protecionismo e ameaças impedem que pais denunciem à polícia e à Justiça as agressões físicas e verbais que sofrem dos filhos. Os casos só chegam ao conhecimento das autoridades em situações extremas, quando não há mais limites. A dona de casa SHAP, 57, alvo de reportagens do Comércio da Franca em 2007, é um exemplo clássico das mães que relutam em denunciar a violência no ambiente familiar. Depois de ser espancada e precisar se defender com uma faca do próprio filho, chegou a acionar a polícia e registrar boletim, mas perdoou o rapaz de 27 anos, que era usuário de drogas. Ele foi liberado, mas voltou a aprontar. A mãe, mais uma vez, não quis representar contra ele. SHAP só mudou de idéia após a terceira briga em uma semana. Depois de ser liberado pela segunda vez, chegou em casa e agrediu a mãe, além de quebrar os móveis. Desta vez, a dona de casa fez a lei ser cumprida. O filho foi preso na Cadeia do Jardim Guanabara. Fabiana Zagolin, psicóloga na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) há dez anos, disse que mesmo pessoas mais esclarecidas hesitam em revelar os problemas enfrentados com os filhos. Ela ressalta que, quanto antes se tomar providências, mais fácil será resolver a situação. “Alguns pais sentem vergonha, não querem entrar no ambiente da delegacia. A delegacia é a última saída mesmo, quando não enxergam mais solução para o problema”, disse. O promotor criminal Ivan Nascimento de Castro disse que não possui dados relacionados à agressão de filhos contra os pais. Mas segundo avaliação empírica feita por ele, embora ainda haja resistência em denunciar, a comunidade está mudando de comportamento. Especialmente as mulheres. “Com a Lei Maria da Penha mais em evidência, tem crescido o número de mães que representam contra os filhos que as agridem”. A lei foi sancionada em 7 de agosto de 2005 e mudou a maneira de punir agressões físicas e psicológicas contra mulheres. Antes, o agressor nem era preso. Como penalidade, pagava multa ou era encaminhado para prestação de serviços comunitários. A “Maria da Penha” determina que seja preso em flagrante. NOVIDADE Quando o assunto é violência familiar é comum que idosos sejam vítimas das agressões. Em Franca, um novo mecanismo deve incentivar denúncias de violência contra essa parcela da comunidade. É o disque-denúncia do idoso. O Conselho Municipal do Idoso, em parceria com delegacias e Prefeitura, quer lançar o sistema até o fim deste ano. O Conselho fornecerá computadores - já adquiridos - e a Prefeitura assistente social para o atendimento. O objetivo é incentivar as pessoas a revelarem casos de agressão e outros problemas envolvendo pessoas mais velhas. “Acho que mais casos chegarão ao nosso conhecimento para encaminharmos ao Ministério Público para as providências serem tomadas. Pelo telefone, é mais fácil as pessoas denunciarem”, disse o contador Clóvis Barbosa, 46, presidente do Conselho. Segundo ele, o lançamento do novo sistema estava previsto para este mês, mas atrasou. “A demora se deve às obras para as novas instalações das delegacias de Franca, que estão sendo transferidas para o antigo prédio do CSU (Centro Social Urbano), na Vila Formosa. Ainda em 2008, deverá estar funcionando”, disse Clóvis.

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