A dona de casa MCN vive um sério problema familiar. Aos 77 anos, é vítima das agressões do próprio filho. JDN, de 40 anos, é viciado em drogas e bate na mãe sempre que quer dinheiro para saciar o vício. Segundo familiares, o rapaz já ateou álcool e tentou colocar fogo no corpo da mãe, jogou uma faca e feriu a veia do pé dela e deu um soco em seu estômago. Com a agressão, MCN precisou fazer cirurgia no abdômen. Ele ainda vendeu todos os móveis dela para comprar drogas. Nas delegacias de polícia e Ministério Público, não existem estatísticas deste tipo de ocorrência, mas elas são comuns. Só nos últimos oito meses, o Comércio da Franca e Rádio Difusora veicularam seis reportagens de pais agredidos pelos filhos.
Nem todas situações se tornam públicas. Os pais relutam em denunciar os casos (leia ao lado). MCN não gosta de comentar o assunto e sempre chora quando fala do filho. Ela não admite que apanha. A outra filha EN, 46, que cuida dela e também é vítima do rapaz, disse que a mãe reage assim por medo dele ser preso. O drama em família é vivido há 28 anos. “Tenho dó dele. Ele não briga todo dia. Quando está nervoso, fica agressivo. Quando não tem dinheiro, fica desesperado. Não faço nada de errado. Faço o que tem vontade de comer, cuido das roupas dele, dou dinheiro para ele. Tenho saudade dele e ele de mim”, disse MCN, que não encontra o filho há três meses.
A senhora e a filha mudam de endereço cada vez que ele descobre onde estão morando. “Às vezes, ele ia na minha casa e eu não queria que minha mãe o recebesse. Ele nos ameaçava e falava que um dia ia me entregar a cabeça da minha mãe numa bandeja”, disse EN. “Quando ele quer o dinheiro, ele agride minha mãe e qualquer um que está na frente dele. Temos medo. Sofre todo mundo com a história. A mãe, a irmã, as tias”.
A família está de mãos atadas. JDN não aceita se tratar. Nas vezes que foi internado, fugiu. “Precisamos interná-lo. É ruim para ele viver assim também. Na rua, ele vive apanhando”.
Na região Norte da cidade, outra mãe sofre com ofensas do filho. A dona de casa, de 40 anos, foi obrigada pelo rapaz a sair de casa. Usuário de drogas, já a agrediu várias vezes. “Saí da minha casa porque nós dois brigávamos muito. Ele fala que, se eu voltar, ele vai me matar, me xinga de puta”. Nesta semana, ela decidiu denunciar o caso à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). “Ele me agride e sempre estou me defendendo batendo nele também. Mas ele nunca tinha me batido na cara. Ele pegou a faca e falou que ia me matar. Apanhar na cara de um filho é dolorido. Eu vim tomar providências. Isso não pode ficar desse jeito”.
O delegado Djalma Batista não apresentou estatísticas, mas disse que os casos são comuns e geralmente acontecem por vício em drogas e alcoolismo. “O autor ou autora tem envolvimento com drogas e agride ao pedir dinheiro para comprar entorpecentes ou chegar em casa sob o efeito das drogas. É comum desferirem socos, empurrões e xingarem o pai e a mãe”.
Os agressores podem pagar multas, ser processados e presos. “No caso das mulheres, se houver lesão, podemos enquadrar na lei de violência doméstica, a Maria da Penha, e o autor ser preso de três meses a três anos”, disse Djalma. Se o autor for menor de idade, as ocorrências são encaminhadas para o Juizado da Infância e da Juventude para o juiz decidir pela aplicação de medidas socioeducativas e até internação.
Colaborou Marcos de Paula
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