Após 1 ano, 8 meses e 12 dias, isto é, exatos 617 dias, terminou seu ciclo de experiências aqui na Terra a menina Marcela, anencéfala que nasceu em Patrocínio Paulista (SP). Sem dúvida, podemos afirmar que foram dias utilíssimos para ela, para seus pais e para nós todos. Para ela, porquanto passou por uma experiência de muita validade. Como o espiritismo nos ensina, Marcela foi o nome assumido pelo espírito ao “mergulhar” no corpo físico.
No entanto, era um espírito e não um corpo. Como espírito apresentava, certamente, na sua consciência, alguma pendência que quis, na nova vida, acertar consigo mesmo. Que tipo de acerto? Não nos compete indagar e nem investigar. Sim, por que o problema é consciencial e somente o espírito e a Lei Divina podem, nos mínimos detalhes, conhecer todos os fatores atenuantes e agravantes.
Resta-nos, entretanto, uma certeza: não é castigo de Deus! Não é fruto do acaso e não é o mero cumprimento da lei da Genética. Esta, a Genética, está submetida à Lei Divina que a tudo preside e governa. Então, o que houve? Houve o cumprimento da Lei de Causa e Efeito, segundo nos orienta a Doutrina Espírita. Aquela Lei à qual se referiu o Mestre Jesus quando afirmou: “A cada um, segundo suas obras!” Portanto, trata-se de colheita de uma semeadura anteriormente efetuada, porquanto a menina nasceu com o problema.
Se a causa não é atual, necessariamente tem que estar no passado já vivido pelo espírito. Corajosa Marcela que soube enfrentar com galhardia a nódoa que a sua consciência registrava. Valente Marcela que viveu os dias da sua encarnação demonstrando carinho e vontade de viver. Destemida Marcela que superou o fardo de um corpo comprometido fisicamente a fim de se libertar espiritualmente e nos servir de excelente exemplo.
Ante o carinho demonstrado, principalmente, pela mãe, que afirmou não se preocupar com o tempo de existência que a filha teria e sim com a oportunidade do afeto que poderia dar à menina, aprendemos o quanto venceram os genitores, também eles, indubitavelmente, envolvidos nos problemas geradores da situação. Mas, souberam com dedicação vencer a prova a que foram submetidos. E aprendemos muito nós todos que pensávamos que a vida é descartável. Quantos não supuseram que seria melhor abortar já que o bebê não viveria muito mais que algumas horas?
Quem somos nós para decidir sobre a vida que pertence, exclusivamente, a Deus? Fica, pois, a lição maior: respeitar a vida que é Dom Divino. Nunca optar pela eliminação, pela morte, pela destruição. Estes 617 dias foram importantíssimos para que Marcela, além de passar pela situação que escolheu, pudesse receber o carinho maternal, melhor reavaliar a vida e programar-se para novas experiências que, certamente, viverá. Só nos resta, agora, dizer: obrigado Marcela. Que os Anjos do Céu a tenham recebido!
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.