Enquanto nossos olhos se deliciam com as marcantes e belas cenas dos Jogos Olímpicos realizados na China, fico matutando se não seria melhor e mais apropriado investir o montante de dinheiro gasto com tudo aquilo e com as construções e reformas homéricas, nos campos sociais, educacionais e habitacionais de cada país escolhido como sede.
Nada contra a realização dos jogos, que representam o que há de melhor em disputas esportivas ditas amadoras entre atletas do mundo inteiro no melhor estilo de “mente sã em corpo são” e “o importante não é ganhar, mas competir” que, diga-se de passagem, aqui no Brasil não é bem aceito. Só que não me parece correto misturar, por exemplo, futebol profissional, lutas marciais, vôlei de praia e outras modalidades esportivas que não têm muito a ver com o espírito das disputas.
Deveriam resumir a atletismo, ginástica olímpica, basquete, voleibol, natação, luta grego/romana, levantamento de peso, natação, esgrima, canoagem, boxe amador, hipismo, xadrez, dama, ping-pong e outras modalidades das quais possa estar esquecendo e que se situam na fronteira entre o amadorismo e o profissional.
No Brasil, por exemplo, vejo com tristeza e decepção o presidente do COB ufanar-se porque conseguiu reunir e enviar o maior número de atletas de todos os tempos, suplantando países de primeiro mundo e de maior poder econômico. Como sempre, confundimos qualidade com quantidade.
Além do mais a Itália, por exemplo, territorialmente é menor que o Estado de Minas Gerais, mas, em contrapartida, na última vez que verifiquei a classificação geral, os italianos estavam em quinto lugar e o Brasil no trigésimo e não sei quanto, com apenas medalhas de bronze de atletas do judô, esporte sobre cuja validade em participar já foi objeto de crítica de nossa parte. E olhem que os japoneses criadores deste tipo de esporte(?), não são os maiores vencedores. Irrita-me saber que milhões e milhões foram investidos nesta caravana!
Se juntássemos o capital que foi aplicado na organização e realização dos jogos Pan-Americanos (cujas vitórias ficaram desmerecidas pelos resultados das Olimpíadas), mais o absurdo envolvido na disputa olímpica, tenho certeza de que a saúde, a educação, a habitação e outros setores carentes de nosso País agradeceriam, e muito.
Quanto aos esportes, deveríamos selecionar melhor as modalidades compatíveis com a nossa estrutura, investir na formação dos atletas que se destacarem e aí sim, enviá-los para as disputas com chances reais de vitória, o que estimularia a formação de outros e aos poucos, cresceria o interesse e aumentaríamos o número de participantes. Gradativamente, como se vê na ginástica artística.
Não vou nem comentar a intenção do Brasil em promover Olimpíadas porque é uma pretensão tão absurda que ofende ao bom senso, transformando-se até num insulto à camada de trabalhadores mais carentes da população. Gostaríamos que estes recursos fossem destinados para suprir as necessidades primárias deste País, porque assim, o governo estaria cumprindo com a sua obrigação constitucional e não tentar enganar o povo com bolsa família, pão e circo.
Odorico Antônio Silva
Advogado
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