Nestes tempos de globalização da economia, acompanhados por mudanças climáticas e pelo agravamento das desigualdades sociais, fala-se cada vez mais em responsabilidade social das empresas enquanto agentes econômicos poderosos podem, e devem, fazer a diferença em um ambiente que não resiste mais à dependência exclusiva da atuação do Estado. De fato, os números não indicam outra coisa: hoje, cinqüenta e sete grandes corporações encontram-se entre os cem maiores agentes econômicos do mundo.
Em outras palavras, esses gigantes do setor privado apresentam renda superior ao PIB de grandes países e, conseqüentemente, espera-se deles uma atuação responsável e pró-ativa no que diz respeito à melhoria das condições sociais das regiões nas quais estão presentes. Embora mais acirrada nos dias de hoje, essa discussão não é nova.
Com o aumento de sua relevância social, em sentido diametralmente oposto à perda da influência e do poder econômico dos Estados, as empresas têm reavaliado sua forma de atuação social e alguns importantes pensadores da administração têm dado fundamental contribuição teórica nesse sentido. É o caso de autores como Michael Porter, que estabeleceu alguns critérios para que a ação das empresas não se restringisse ao universo do marketing e pudesse ser aproveitada da forma mais produtiva para todas as partes envolvidas. Em primeiro lugar, as empresas devem atuar dentro de sua legitimidade e competência, ou seja, dentro de seu mandato social.
Com seus noventa e cinco anos de existência, a CPFL Energia atravessou diversas fases dessa discussão acima exposta. Um de seus programas sociais mais antigos ilustra bem as mudanças no pensamento sobre o tema e sua própria evolução. Trata-se do Programa de Revitalização de Hospitais Filantrópicos, as conhecidas Santas Casas de Misericórdia, presentes em todo Brasil e sempre enfrentando difícil situação econômica, em face de sua atuação prioritária como hospitais voltados para a população de baixa renda.
A relação da CPFL Energia com esses hospitais sempre foi estreita e consistia, em um primeiro momento, em doações em contas de energia dos próprios hospitais. Após sua privatização, em 1997, a empresa reviu os seus programas de responsabilidade corporativa e, com eles, seu programa de auxílio aos hospitais, substituindo as doações pecuniárias por doações de equipamentos hospitalares.
Essa solução foi substituída pela parceria com o Cealag, instituição de referência na capacitação de profissionais de gestão hospitalar, com a busca de um planejamento conjunto com seu próprio departamento de eficiência energética. Com o apoio do Governo do estado de São Paulo e da Unesp, o programa capacitou, em três anos, seis hospitais de referência que multiplicaram seus novos conhecimentos e processos para outros dezenove hospitais.
Eduardo Basile Jr.
Gerente da Regional Nordeste da CPFL Paulista
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