... por dentro pão bolorento. Assim já dizia minha avó e o dito popular nunca foi tão atual, principalmente após o anúncio da pesquisa Vox Populi a respeito do que pensa o eleitor brasileiro sobre política, políticos e coisas do gênero.
Para surpresa de alguns desavisados, de modo geral a pesquisa identificou que o brasileiro, trabalhador, pagador de impostos e eleitor considera os políticos desonestos. Até aqui nenhuma novidade e pouca coisa a dizer. Talvez um “nem todos” desse aos que se consideram exceção um alento.
Pior que isso só mesmo o fato de que 85% dos entrevistados consideram-se completamente alijados dos benefícios da política. Para estes, política é algo que só traz benefícios aos próprios políticos. Considerando-se o que se paga de impostos e o que se recebe do Estado talvez tenham razão.
E se o assunto é confiança veja o que disseram 82% dos entrevistados - político não cumpre compromissos assumidos em época de campanha. Um número curioso uma vez que na boca do povo corre o adágio que promessa é dívida. Neste caso o problema é a quem recorrer.
Mas não pára por aí, há outras informações curiosas entre elas a que revela a sensação de lisura dos pleitos realizados por aqui. Neste aspecto 52% dos entrevistados afirmam que não acreditam que o resultado de uma eleição é fruto de um processo “limpo”. Ou seja, o cidadão vai lá, aperta os botõezinhos da urna, vai pra casa, espera o resultado da apuração e depois acha que os dados não são legítimos.
Outra curiosidade. Caso votar torne-se um ato facultativo, 30% dos entrevistados dariam ao domingo de eleição melhor proveito. Outros 51% continuariam exercendo com naturalidade o cívico ato de escolher seus representantes.
O mosaico delineado pela pesquisa encomendada pela Associação dos Magistrados Brasileiros - AMB demonstra certo ressentimento do eleitorado em relação aos políticos e suas políticas, fato que de certa forma se justifica diante de tantas mazelas e malfeitorias trazidas à tona quase que todos os dias. O que não se justifica é o não rompimento do ciclo vicioso que a pesquisa revela - eleitor vota em político picareta que depois de eleito uma vez nunca mais deixa de se eleger.
Para complicar ainda mais as coisas, não sei se por conta dos tais anos de ditadura o envolvimento do cidadão brasileiro com política parece se resumir ao ato de votar e ponto final.
Assim, em pleno século XXI, após mais de 500 anos da chegada de Cabral, olhamos de fora e vemos uma nação onde a democracia dá sinais de vida a cada eleição, seja através do direito de concorrer a um cargo, seja na logística destinada ao processo de votação e apuração. Acrescentado a isso temos agora a frieza dos números traduzindo o pensamento do eleitorado.
Porém se voltarmos nossos olhos para dentro veremos um País e um povo reféns de manobras legislativas e executivas produzidas por gente que não tem o bem comum como objetivo primeiro de suas ações como políticos.
Portanto, assim é o Brasil, por fora bela viola por dentro pão bolorento.
‘DELIRIUS POLITICUS’
E pela cidade tem muita gente delirando. A notícia de que o atual prefeito não participará de nenhum debate com sistema “pinga-fogo” surpreendeu muita gente. Com isso não teve outro jeito senão o ‘delirius politicus’ dominar as prosas na terra das três colinas. Tem gente apostando que o prefeito tem um grande segredo, e que teme ver revelado no debate, assim bateu em retirada seguindo a estratégia de que o melhor ataque é a defesa. Já outros tantos acreditam numa jogada de marketing na qual o prefeito-canditado pretende surpreender os adversários podendo decidir na última hora pela participação no democrático exercício de debater políticas públicas. É esperar para ver quem tem razão.
FICOU BOM! PODE MELHORAR!
Eu juro que não queria falar disso, mas o comentário é geral. Ficou bom, muito bom o serviço de sinalização de solo nas ruas da cidade, mas pode melhorar se os símbolos fossem respeitados, principalmente as faixas de pedestres.
TÁ RUIM? PODE PIORAR.
E se a situação do País sob o aspecto político está ruim, pode ficar ainda pior se considerarmos o interesse dos jovens pelo assunto. Neste aspecto somos completamente cegos, mudos e surdos. Talvez por puro desinteresse, talvez por conveniência de alguns, talvez por interesse de muitos outros. O fato é que não me preocupa mais os velhos políticos picaretas de hoje e sim os novos que estamos forjando no seio de nossa sociedade em nossos dias de nação democrática.
SÓ PRA NÃO PERDER A PIADA
Um conhecido me disse que essa história do patrimônio de alguns políticos ter aumento e de outros ter diminuído lembra muito aquela piadinha da família na praia de nudismo. O pai volta do banho de mar e encontra o garoto sozinho embaixo do guarda-sol. O moleque olha para o pai e o questiona sobre os diferentes tamanhos do órgão masculino. O pai rapidamente responde que é por causa da riqueza de cada um. Quando mais rico maior o membro. Nisso o pai dá pela falta da esposa e ao garoto pergunta do paradeiro da mãe. O garoto então responde sem titubear - “uai pai, ela estava aqui agora pouco conversando com um rapaz pobre, de repente ele foi ficando rico e eles saíram juntos, só não sei dizer pra onde”.
Alexandre H. Leonel
Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br
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