Policial é solto após dois meses de prisão


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Policiais militares durante operação que prendeu o investigador Nilson Ruela, acusado de cobrar propina no dia 12 de junho deste ano
Policiais militares durante operação que prendeu o investigador Nilson Ruela, acusado de cobrar propina no dia 12 de junho deste ano
O investigador Nilson Ruela, acusado de corrupção passiva pelo Ministério Público, foi libertado na noite da última quarta-feira. Nilson, que estava preso desde o dia 12 de junho no presídio especial da Polícia Civil em São Paulo, foi acusado de receber dinheiro de camelôs para evitar a apreensão de CDs e DVDs piratas, além de avisar com antecedência os vendedores informais sobre blitze realizadas pela polícia. De acordo com o advogado de Ruela, Reginaldo Carvalho, a libertação de seu cliente se deu por falta de provas que o incriminassem. “Não haveria motivo mais para mantê-lo preso e correr-se-ia o risco de se cometer uma injustiça.” Na última terça-feira, duas testemunhas foram ouvidas e, segundo informações do advogado, não apresentaram provas concretas sobre as acusações. “Não teve nenhuma acusação formal, não teve nada que comprometesse ele. Muito pelo contrário, acabou comprovando a versão dele, de que foi armado o flagrante”. O próximo passo agora é a apresentação das testemunhas de defesa e depois as alegações finais. Em seguida, deve ser dada a sentença. De acordo com as investigações do Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado), o esquema de cobrança de propina que teria sido realizado pelo investigador teria começado em novembro do ano passado e garantiria a não apreensões de CDs e DVDs piratas ou o aviso com antecedência sobre eventuais operações de combate à pirataria. O esquema abrangia aproximadamente 20 ambulantes da área central, que seriam obrigados a pagar uma taxa semanal que variava de R$ 150 a R$ 250. O Ministério Público apontou ainda que a ambulante Marlene Cândido Martiniano seria a responsável por recolher o dinheiro. Ela repassaria o montante arrecadado, cerca de R$ 3,3 mil, para Eurípedes Esneider de Carvalho, o “Nei”. Este efetuava o pagamento ao investigador. A Corregedoria da Polícia Civil e a Polícia Militar foram informadas da descoberta e ficaram aguardando Nei entregar o dinheiro para o investigador a fim de fazerem o flagrante. Normalmente, o pagamento ocorria às segundas-feiras, mas, na época da prisão, ele atrasou em dois dias. Na quarta-feira, os promotores filmaram Nilson recebendo o dinheiro e prenderam o policial após uma perseguição pelas ruas da cidade. Nei sabia que a ação estava sendo monitorada e que o investigador seria preso. Para os integrantes do Gaerco, o fato não significa que a prisão tenha sido ilegal. Os promotores do Gaerco foram procurados pelo Comércio para comentar a liberação, mas não foram localizados pela reportagem. O delegado que efetuou a prisão não quis se pronunciar.

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