Che bello tuo “ritornello”. Se temos nos comportado em alguns momentos como críticos de ocorrências de nossa comunidade, o fato tem sido gerado no forte desejo nutrido pelo crescimento em todas as direções da cidade que amamos e defendemos. Franca ao atingir a fortuna dos trezentos e cinqüenta mil habitantes, ganha patamar de relevo, especialmente no ângulo sociocultural, onde as pessoas devem empenhar fiel dedicação.
Não pretendo encascar-me a vida toda em críticas, pois, louvaminhar é de justiça ao reconhecer um grupo jovem, sem avaliar as dificuldades avizinhadas, navegando no sonho da instituição de uma orquestra sinfônica. A magnitude concretizada do sonho vai obrigar a cidade inteira a ficar de pé e gritar: Bravo, maestro!
Decorridos alguns meses pós-primeira apresentação da OSF, Orquestra Sinfônica de Franca– com regente emprestado de Ribeirão Preto – nova luz se acende no sonho daqueles iniciadores, fazendo ascender à função maior da sinfônica menina, composta por nada mais que meninos, outro portentoso menino: Nazir Bittar.
Embora carioca, com ancestralidade francana, aqui foi criado para receber no primeiro momento, a virtuose da professora Marlene Minervino Castro. Aí ficou estabelecido seu inicio para o embarque também no sonho, – Inglaterra e Alemanha– da inclusão de tecnicidade ao profundo sentimento e vocação musical nascidos com ele: a arte musical, de Händel, Bach, Mozart, Bizet com destaque – volúpia minha – para o calor de bem arranjado “Alma Espanhola”, da artista querida e saudosa, Inah Machado Sandoval, define seu nuançar feliz do sabor e tempero regalado de Espanha. Bravo, maestro!
Na solene apresentação da Sinfônica no dia nove no Teatro Municipal, sua economia de palavras, conseguiu alagar a consciência da platéia em curta e sábia frase: “a música aproxima o homem de Deus”.
Ao absorver seus ensinamentos, – permita-me maestro – lembrei-me do regente e diretor artístico Daniel Barenboim da Filarmônica de Berlim, a maior orquestra do mundo e que também foi regente e diretor artístico da Filarmônica de Chicago. Ele fundou em 1999 em parceria com o intelectual palestino Edward Said, a West-Eastern Divan Orchestra reunindo jovens músicos judeus e árabes, maior projeto de música erudita do mundo.
Criou e sustenta escola de música em Hamallah, na Cisjordania, onde se registra o mais agudo do conflito. São de Barenboim as palavras seguintes: “A West-Eastern Divan, é antes de mais nada, uma experiência de integração social. Era isso que eu e meu parceiro, o intelectual palestino Edward Said, tínhamos em mente ao dar inicio a esse projeto. Queríamos mostrar aos dois lados de um conflito sangrento que é possível criar ambientes em que árabes e judeus vivem e trabalham juntos. Cada vez em que a orquestra ensaia ou se apresenta, essa mensagem é passada adiante.
Demonstramos isso ao tocar em Hamallah onde a intolerância sempre esteve à flor da pele”. Bravo, maestro!
Meu caro regente menino Nazir Bittar. Quando você defende que a música aproxima o homem de Deus e o grande Daniel Barenboim entende que a música aproxima os homens, estabelecendo entre eles a paz, somos forçados, a cidade inteira, a erguer-nos para fazer coro com a razão: Deus salve com boas-vindas a Orquestra Sinfônica de Franca iluminando seu regente. Che bello tuo “ritornello”. Bravo, maestro!
Garcia Netto
Jornalista
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.