No mês de outubro próximo teremos a oportunidade de exercer de forma clara e consciente o nosso mais elementar mecanismo de poder: o voto. Quando dizemos que temos a oportunidade de exercer clara e conscientemente esse direito, estamos excluindo uma prática bastante disseminada durante o processo eleitoral.
A prática, danosa, degradante, infame, a que nos referimos é a venda de voto por parte de alguns eleitores. Lembrei-me disso nesta terça-feira, quando ouvi a seguinte conversa de dois amigos na feira de um supermercado.
- Oi, fulano! Como estão as coisas, tudo bem?
- Uai, sô - não tem nada bom. A inflação está de volta, tudo muito caro.
- E as eleições, estão chegando... Você vai continuar a apoiar o vereador sicrano?
- Nem morto! Para mim ele já era. Prometeu arranjar um emprego para minha filha lá na Câmara e até hoje, nem sinal. Político é assim: na hora de pedir voto é uma maravilha, promete tudo, resolve qualquer problema. Depois de eleito some sem deixar rastro. Para votar num vereador, quero ver primeiro se tem algum para me oferecer, do contrário...
Fiquei possuído de ira santa com o absurdo da conversa. Cheguei quase a interferir, mas resolvi continuar a minha peregrinação pelo supermercado, certo que aquele eleitor ainda não tem consciência do que seja o voto, e passou a dar a ele um valor tão inferior e ínfimo a ponto de pretender vendê-lo por um par de botinas ou uma cesta básica. Pela manhã já tinha lido neste Comércio que um vereador de Franca, atualmente em campanha, está sendo acusado de doar um saco de batatas para uma igreja.
Dias atrás, isso em Porto Velho, a Polícia Federal prendeu outro candidato a vereador, só que esse, ao invés de batatas, distribuía pintinhos em troca de votos num bairro daquela cidade. A polícia apreendeu quatro mil pintinhos com seu cabo eleitoral, acreditem!
Esses que aceitam par de botinas, batatas, pintinhos ou cestas básicas são eleitores inconscientes: vendem seus votos, trocam sua cidadania por benesses provisórias, colocam em risco sua cidade, seu estado, seu país.
Vendem o direito de exigir melhorias, rendem-se ao apelo do individualismo, rasgam as normas do bem comum e da responsabilidade social, iludem-se e deixam-se enganar com bagatelas, promessas falsas e inverdades. Perdem a noção da grandeza do ato de votar, de escolher seus dirigentes com visão nobre e democrática.
Se fôssemos um povo realmente consciente de nossos direitos e deveres o voto precisava ser obrigatório? Por que somos obrigados a fazer aquilo que é de direito nosso e que foi motivo de muitas lutas e reivindicações por anos a fio? Isso acontece porque não temos consciência da importância de nosso voto - muitas vezes vendido por ninharia - se tivéssemos, também iríamos às urnas sem precisar que nos obrigassem.
Somos, pela lei, intimados a exercer nossa cidadania porque se assim não fosse abdicaríamos dela e, quando menos percebêssemos estaríamos vivendo novamente no sistema colonial. Precisamos entender que eleição é um ato de democracia e isso não pode ser simplesmente descartado ou transformado num balcão de negócios.
CUIDADO
Sempre é bom alertar. O eleitor que receber dinheiro ou outra vantagem para votar em um candidato pode pegar de um a quatro anos de reclusão. A venda do voto pelo eleitor, assim como a compra pelo candidato ou a pedido dele estão previstas como crime no artigo 299 do Código Eleitoral.
EXAGERO
Existem no Brasil 346 mil vereadores, em 5 mil municípios. Acredita-se que 46 mil já seriam de bom tamanho, dispensando-se os outros 300 mil. É muito dinheiro do já massacrado contribuinte jogado fora. Isso sem contar o que eles comem por outros meios, como nós bem sabemos. É exagerado também o número de senadores e de deputados federais, outra inutilidade.
NEGATIVO
A retirada das lombadas na Rua General Osório transformou a principal via de acesso do centro da cidade ao Bairro Estação numa verdadeira pista de corridas. O prefeito Sidnei Rocha disse certa vez que o francano é negativo, inseguro e pessimista. E tem razão. Como mostrar otimismo vendo nossas crianças e velhos correndo sério risco de atropelamento? O asfalto era necessário sim, senhor prefeito, e por ele, merece nossos aplausos. Mas, com as retiradas das lombadas, proibidas hoje por lei, deveriam vir, como medida de urgência, faixas de segurança e semáforos em pontos críticos, caso do cruzamento entre a General Osório e Coronel Tamarindo, onde ônibus, carros e caminhões, desenvolvem hoje velocidade excessiva. Providências urgentes devem ser tomadas antes que ocorra uma tragédia nesse local e para que a população não sinta saudade dos velhos buracos nas ruas, obstáculos que impediam a velocidade dos veículos mas preservavam a vida dos moradores.
POSITIVO
A grande amiga Lúcia Assakawa, que se encontra há muitos anos no Japão, envia um e-mail contando que lê esta coluna pela internet, todas as quintas, e faz questão de repassar o link da página para amigos e amigas que falam a língua portuguesa e estão naquele país. Em São Paulo, também o amigo jornalista, escritor e advogado Guido Fidelis, depois de ler a coluna na internet, a envia para dezenas de colegas. Aproveitamos para agradecer a eles e a outros amigos espalhados pelo Brasil, que lêem a coluna no site deste Comércio e estão sempre se manifestando de forma positiva.
A VIA DOS POLÍTICOS...
Uma mulher chega aflita ao ginecologista:
- Doutor, pode-se engravidar pelo coito anal?
- Claro que pode. De onde a senhora pensa que vêm os políticos?
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.