O que começou como uma brincadeira, um hobby de fim de semana, tornou-se fonte de renda e motivo de orgulho para Carlos Martins, 42 anos, natural de São Joaquim da Barra e estabelecido em Franca há 17 anos.
Garçom e maitre de carreira, Carlos trabalhou por 18 anos na noite, servindo mesas em bares e restaurantes da cidade. Há dois anos assumiu a nova profissão. “Começou como uma brincadeira. Em meu tempo livre, fazia alguns abajures para decorar a casa e presentear amigos. Como eu já planejava deixar o trabalho à noite e alguns conhecidos gostaram dos trabalhos que fazia, resolvi abraçar a brincadeira como profissão”, ressalta.
“Também gosto de sentir que estou - de uma forma pequena, mas efetiva - colaborando com a preservação do meio ambiente da cidade”, diz o artesão, que afirma serem fundamentais tanto o apoio quanto a ajuda que recebe da mulher, Lunara, e dos amigos na confecção e na divulgação de seu trabalho.
Os “entulhos” coletados transformam-se nas mãos de Carlos. Ganham luz, literalmente. Sem ter feito qualquer curso ou pesquisa, de sua inspiração autodidata surgem abajures, luminárias, arandelas, adegas residenciais, e tudo o mais que sua imaginação permitir.
A exclusividade dessa concepção é básica. “Se encomendam, posso criar algumas peças semelhantes, mas a originalidade é natural de cada peça. Não conseguiria - nem que desejasse - fazer duas peças iguais”, destaca o artista.
Carlos afirma ser simples conseguir a matéria-prima para seus trabalhos: o material utilizado é recolhido de caçambas e de depósitos de entulhos espalhados em terrenos baldios e praças da cidade. Destes lugares ele recolhe pedaços de armários e guarda-roupas, sofás, coadores de café, restos de couro, cabos de vassoura e até cachos de coco.
“É incrível o que as pessoas mandam para o lixo. Além de poluírem a natureza, elas não percebem que alguns desses objetos podem se transformar em peças muito bonitas, se bem trabalhados. Acho triste o que despejam por aí, mas fico tranqüilo quando vejo que pelo menos a minha parte eu estou fazendo”, disse.
Suas peças já foram expostas coletivamente no Espaço Artístico Cultural “Joalheiro das Artes”, evento promovido de 15 a 30 de julho, pela Pinacoteca Municipal “Miguel Ângelo Pucci” e pelo Fundo Social de Solidariedade, com o apoio do Comércio da Franca, e podem ser vistas em bares e restaurantes de Franca.
Quem desejar conhecer o trabalho do artesão pode contatá-lo pelo fone (16) 9219-3575 ou à Rua Marcos Eurípedes Gomes, 4082, bairro Santa Mônica, em Franca.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.