Pragmatismo Individual


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Vivemos numa sociedade pós-moralista. Essa afirmativa não é nossa, mas é nova: Gilles Lipovetsky (1944-), filósofo francês, teórico da hipermodernidade, infere: “(...) esta sociedade repudia a retórica do dever rígido, integral e estrito e, paralelamente, consagra os direitos individuais à autonomia, às aspirações de ordem pessoal, à felicidade...” Com efeito, perdemos a noção clássica de grupo, de instituição. Pensemos, por exemplo, em alguma grande empresa - de qualquer ramo - em Franca. Questiona-se: há pontos de excelência nessa empresa? Sim. Mas esses pontos de excelência nascem do investimento e procedimentos de ordem sinergética da instituição? Muitas vezes não. Então, como se explica a existência de pontos de excelência? Pelo comprometimento individual deste ou daquele funcionário, não mais por causa de uma filosofia empresarial. Isto é amplo, genérico, aplicável a todas as empresas? Obviamente não, mas é um fato e é crescente. A telefonista das 10 horas pode atendê-lo da forma mais desconcertante possível: má articulação, erros gravíssimos de português, desconhecimento... E aí você passará esses defeitos para a imagem da empresa como um todo. Forte, não? Agora, às 16 horas muda a telefonista, e o atendimento será outro, pautado pela polidez, timbre agradável de voz, conhecimento, calma, português impecável... E aí você estenderá essas virtudes para a empresa como um todo. A voz da empresa! Note-se que, provavelmente, a instituição metida lá com seus planos de gabinete para aumento de produção, otimização de seus recursos, não tenha se debruçado à alma de seu negócio: o capital humano. Daí que o setor de marketing pode estar funcionando muito bem porque o seu diretor tem formação adequada, tem história pessoal, tem “berço” (no dito popular); o resultado não retrata o perfil da empresa, mas a excelência do indivíduo. Passemos à estrutura familiar. Jovens têm dado demonstração de um procedimento até então não revelado pela história das sociedades, salvo melhor juízo. Quando namoram (ainda existe este verbo?), fazem-no com base na filosofia do “ficar”: gozam de todo o bônus que um casal obtém no casamento; no momento do ônus (dinheiro, alimentação, saúde, transporte, educação, roupa lavada e passada), cada um retorna à casa dos pais, cabendo a estes a tarefa movida pela força paternal, maternal, numa espécie de tarefa interminável de Sísifo. O que há de comum nestas situações? O individualismo. Em suas camadas mais profundas, nossa sociedade deixou de estar baseada nas exortações ao cumprimento integral dos preceitos, e só procura acreditar nas vantagens pessoais. Esta é uma questão básica vivida por uma sociedade pós-moralista. Vejam as comparações: Moralismo – (1) Excelência fundamentada no grupo. (2) Cientificidade. (3) Obediência a cânones consagrados. Pós-Moralismo – (1) Excelência focada na pessoa. (2) Pragmatismo. (3) Intuição. Cursos de auto-ajuda fundamentados nas diretrizes de Lair Ribeiro, Tom Chung, Daniel Goleman, Stephen Covey, Roberto Shinyashiki têm, sistematicamente, abordado o que esses pensadores afirmam sobre o individualismo. Frase modelo: Quando o indivíduo tem compromisso com sua própria essência, a vida não se torna um fardo pesado de carregar. Mas há um detalhe: muitos dos capítulos de seus livros precisam ser revistos e adaptados ao momento que vivemos. Ou correrão o risco de serem considerados gagás! Everton de Paula Diretor de Publicações - Unifran

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